segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS (Colômbia)

Por mais de uma década penso nisso: uma reunião entre Mods vs Rockers. Poderia acabar em confusão, certa noite em São Paulo aconteceu. Já o propósito em Bogotá era outro, mais ligado à cultura motociclística do que às subculturas juvenis. Muitos lojistas patrocinaram e apoiaram o grande evento, a maioria voltado às tendências vintage, e quem capitaneava o "I Encuentro Nacional de Motos Clásicas y Antiguas" era nada mais nada menos que a Triumph. Ainda assim era o primeiro da América do Sul. Por isso comprei minhas passagens, imprimi os Motorinos (edição 4), dobrei as roupas e tomei o avião. Fabio Much fez o mesmo, rumo à sua terceira aventura internacional. "Ninguém entende um Mod".


Era 06 de Setembro, fazia o frio de sempre em Bogotá, cerca de 15 graus. Logo cedo nos reunimos no meio do caminho em vinte e tantas motonetas em um posto de combustível na Autonorte, uma via expressa extremamente congestionada naquela manhã de sábado. Eu estava com La Pelada, a Vespa PX150 emprestada por Maryzabel Cárdeñas, e levava na garupa o Fabio Much, como que representando a Scooteria Paulista e o Brasil nisso tudo. Jonatan e Mayra nos guiaram até o bolo, e o comboio contaria com os membros do Mottoretos Bogotá DC, Vespa Club Bogotá, Vespañeee e Moonstomp Riders e amigos. Conosco seguia um carro de apoio e muitas garupas. Um ar de festa se estabelecia na Carrera 5. Duas Vespas apresentaram problemas com embreagem - cabo e braço seletor -, resolvidos à beira-pista mesmo. Chegávamos numa frota de Mods, Skinheads, Scooter Boys, Scooteristas e afins.

Comboio rodoviário a caminho do Encontro

Fabio Much e Fidelis
Alejandra "Omaira" Vargas trabalhava em diversos setores do evento, a começar pela recepção e inscrição dos visitantes. Enquanto isso a Bogotá Soul Club tocava alto seleções dos anos 50 e 60 norte-americanas e inglesas. Conheci muita gente por aí, de imediato a Camilo Bermúdez, um exímio restaurador de motonetas, baterista da banda street-punk Urban Noise e importador de peças e artigos para vestir. Junto a ele seu sócio na Vespaccessorios, o Alejandro Vallejo, representante da marca em Medellin. A tenda deles mais pareciam um expositor de artigos inusitados, a começar pela Lambretta DL roxa e cromada do acervo pessoal do Camilo. Botas, camisas, acessórios, um Fusca 58, e a companhia ilimitada de Topo, Espanhol, Andy, Leonardo, Bryan, Tatiana, Hernán e a cambada de Moonstompers apimentavam o espírito do evento. O espaço era como que um kartódromo a céu aberto, cercado por arquibancadas de terra, e com toda a infra-estrutura necessária: alimentação, banheiros limpos, expositores, áreas cobertas e abertas.

Fabio Much - ENMCA 1

Quando chegou Juan Montoya com Andrés e Paola (los paisas), armamos o nosso stand também, inaugurando ali o Almanaque MOTORINO #4 (capa branca, Mod Rod). Vendíamos camisetas do W.A.C.K. - minha banda -, também CD's do Marzela, Thee Butchers Orchestra, Transistors, e Brasil Oi. Além disso Juan Montoya ofertava conosco seus cartões postais do projeto Asfalto, a segunda parte do seu desbravamento em Vespa pelas Américas. Perto da gente estava o stand do Cristian Bernal e Marcela Garzon, do Mottoretos, com patches, camisetas, acessórios, pins, stickers etc. Assinando Kristian, foi ele o criador de todas as artes do evento. Haviam stands para motocicletas e motonetas, para Mods e para Rockers, para todas as pessoas de bom gosto. Me surpreendeu também o baixíssimo consumo de bebidas alcóolicas nesse encontro. Além dos rigores da lei colombiana - multas caríssimas, prisão e perda da carta por anos a fio -, comparado ao comportamento do povo de lá, o brasileiro e o argentino são tipos alcóolatras.

CORRIDA DE MOTONETAS


A inscrição no evento dava direito ao pin, camiseta, cartaz, uma refeição e ao kartódromo. Eu não havia entendido isso até então, e quando vi já estava na pista. Maryzabel aprovou, Ivan González me emprestou as luvas, e lá fui eu com La Pelada; eu com a roupa do corpo. 22 motonetas se espremeram no grid para as instruções. Com as bandeiras verdes, amarelas e preta com branco ainda limpas abríamos os jogos. Vespas, Lambrettas e Bajaj Plus de 150 cilindradas saíam para as três voltas classificatórias. O kartódromo Cajica tem um pouco mais de um quilômetro de extensão, instalado entre montanhas, em terreno declinoso, com oito ou dez curvas. Uma ambulância e uma equipe de paramédicos faziam plantão. Cem pessoas assistiam ao inédito "Desafio de Motonetas" colombiano. Um espetáculo nunca antes visto ou vivido ali.

Na ordem: Gerardo, Fidelis, ??, Dexter e Oscar

As voltas de classificação abriram o apetite da "criançada". Não havia cronômetro nem qualquer outro equipamento de controle. Na base do "olhômetro", a equipe do evento se confundia, afinal, eram 22 motonetas. No meio da discussão sugeri que optássemos pelo estilo "Le Mans" de largada, proporcionando mais humor à competição. A ideia foi acatada por todos, e lá fomos nós. (Rola um vídeo amador disso na internet; e outro mais profissional está sendo preparado).


Foram mais cinco voltas, quinze desafiantes minutos. Ao final da primeira eu estava em quinto colocado, tendo sido ultrapassado por uma Lambretta. Uma chocante disputa se instalou entre Dexter e eu. Sua LI série 3 de 150 cilindradas estava tinindo, e o piloto andava no apetite. "Minha" PX150 puxava bem nas saídas, mas na quarta marcha o ritmo caía (e na terceira explodiria). Buscava fôlego nas embreagens, sempre tomando o vácuo da Lambra. Freio? O motor. E assim eu compensava o tempo perdido nas retas. Mas Dexter tinha braço, fechava a porta e seguia o traçado. Ainda que eu o ultrapassasse, era questão de três curvas para cair nas desgraças do seu vácuo outra vez. E falando em cair, foi Oscar e sua Vespa T5 a contemplada do "Desafio". Ao sair de uma curva o camarada tocou o motor na guia e voou, tendo ralado a perna e a moto. (Alguém mais caiu, não me lembro quem). E veio a bandeirada, como um coito interrompido. Estava incrível, como nos (não tão) velhos tempos de Paulínia/SP. Resultado: peguei o quarto colocado, dez centímetros atrás de Dexter. O vencedor foi Alexander Pineda, um apaixonado por competições e exibições motociclísticas. Que corrida!

(Nota: relembrarei ao cidadão de bem que os Desafios de Motonetas contemporâneos no Brasil começaram em Junho de 2012 capitaneados pelo Motonetas Clássicas Campinas; naquele período eu viajava com minha Vespa 150cc da capital até Paulínia, corria, e nem sempre voltava pra casa com ela, por problemas mecânicos. Fazíamos 300 kms num só dia, contando a corrida. No ano seguinte saí das competições. Que um dia eu possa preparar uma motoneta exclusivamente para isso, que eu tenha condições de transportá-la, ou opções baratas para me divertir, como foi essa que vivi agora. Todavia seguimos apoiando e prestigiando as ações em nosso país). 


Na sequência veio a categoria feminina. Meia dúzia de Vespas e duas motocicletas entraram no asfalto debaixo de chuva. O momento era tenso. Com prudência e espírito esportivo elas seguraram a bronca nas cinco voltas mais difíceis da tarde. À beira da grade assistíamos apreensivos nossas amigas levarem o barco, a Mayra Garcia, Carlotica e Maryzabel. Johana com sua Vespa LX150 rosa levou a melhor.


E fechando os desafios, a categoria especial esquentava o movimento. Uma Vespa GT e outras quatro super-preparadas voaram baixo nas retas de Cajica. O espetáculo tirava gritos e sorrisos da boca dos espectadores. E ainda veríamos as corridas das motocicletas clássicas...



A festa acontecia no entorno do kartódromo. A Red Bull distribuía amostras grátis, e mais gente chegava a todo minuto. O evento acontecia num admirável nível de respeito mútuo entre as cenas juvenis e motociclísticas, com forte tônica na produção, na cultura e nas máquinas. Café racers e motonetas customizadas eram a atração maior, o motivo pelo qual funcionava tudo aquilo; e seus proprietários na estica de época, nos seus melhores trajes, conviviam harmoniosamente, cada um na sua.

E os jogos não paravam; as divisões eram essas: scooters stock, scooter pro, clássicas japonesas, clássicas européias, clássicas modernas, categoria feminina, parada scooter e café racer. Na sequência vinha a prova dos obstáculos, uma gincana divertida. Fomos divididos em pares, e duelávamos em "traçados germinados", ou seja, lado a lado, em caminhos individuais só que idênticos. O desenho era feito com cones, fitas e marcas no chão. Topo (Jhon Gimenez) era meu adversário, queimou um obstáculo e perdeu a brincadeira. A TV Uno filmava tudo de perto. No dia seguinte estávamos todos no jornal nacional.


E a brincadeira de encerramento no Kartódromo Cajica foi com as provas de arrancadas. Também em formato de duelo, lado a lado as motonetas saíam fritando embreagem. Uma bela Pin Up dava a bandeirada e os motores saíam em disparada. Perdi todas, sete vezes.


Era tudo muito lúdico e feito no capricho. Havia um quê de beleza e conhecimento do assunto. Os rockers eram rockers de verdade, na essência, os Mods e Skins - estilo que evoluiu dos Modern Boys da primeira metade dos '60 - eram de verdade, entendiam do riscado, viviam o estilo. E se o conceito do evento era esse, a nossa parte fizemos.


Ao cair da tarde nos reunimos em doze motonetas ou mais, e em meio a um tráfego gigantesco voltamos para o centro de Bogotá, por entre os carros, desviando dos buracos, cortando caminho pelo acostamento de terra e pedra, e engolindo fumaça das centenas de caminhões que trabalhavam em pleno final de semana. Era noite de lua cheia, ela era uma criança...


























Um brinde a todos os organizadores desse fantástico e inesquecível I Encuentro Nacional de Motos Clásicas y Antiguas, ou como queremos, Mods vs Rockers. Um aprendizado para a América do Sul. Fabio Much e eu agradecemos a todos em nome da Scooteria Paulista. Essas lembranças para sempre ficarão em nossas mentes.

Marcio Fidelis e Fabio Much - Scooteria Paulista
Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Mauricio Vargas, Fidelis, 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014

Entre uma conversa e outra no meio de uma noite fria na capital colombiana, me cai uma ficha e a lanço para o grupo nos fundos de um bar qualquer: "que tal se a gente fizesse um Scooterfest nesse fim de semana?" Os olhos de Maryzabel brilharam, e John Gonzales sorriu para Jonatan Alape. Em vinte minutos planificamos o projeto que teria apenas 6 dias para acontecer. E aconteceu...

BOGOTÁ SCOOTERFEST - A noite nas alturas da cidade

Enquanto eu, Marcio Fidelis, saia em viagem com Juan Montoya rumo ao norte, a equipe tão logo daria vida ao primeiro evento de natureza scooterboy no país - falamos de uma cultura scooterista e musical inglesa que teve seu apogeu nos anos 80. Seis clubes e uma frente ideológica se uniram aí: Vespa Club Bogotá, Vespañeeee Club, Escuteristas Bogotá, Moonstomp Riders, Mottoretos Bogotá DC, Scooteria Paulista, e a corrente Mi Corazón Late en 2T. Fecharam com uma casa de shows ali na Chapineros mesmo, ergueram todo o equipamento para os DJ's, a arte gráfica com Kamilo Bernal, os apoios, os adesivos, os cartazes impressos, enfim tudo, e não era pouco. De longe tratei da divulgação e convocatórias, e também com parte das despesas, pagas em Almanaques Motorino's.


As 15h do domingo começava a festa. Tarde de sol preguiçoso e movimento pacato na Carrera 13. Em duas horas o fervo se estabelecia, e cerca de 50 motonetas já teriam dados as caras. A novidade à brasileira trazia um ar inglês aos (oriundos da cidade de Bogotá) cachacos: motonetas customizadas, sapatos lustrados e música alta. Dos ritmos jamaicanos ao Detroit sessentista, Duvan Henao, Camilo Bermúdez, Abuelo Cristian e Danny Mateus, tocavam raridades e "vulgaridades" no salão. Bermúdez, eu, e Juan Montoya vendíamos materiais, de roupas à cartões postais. Maryzabel em momento oportuno sorteou brindes e introduziu ao microfone o conceito da festa. E que festa!!! Jonatan Alape cuidava da portaria na maior parte do tempo. A todo minuto um selfie aconteciam nas quinas do salão, de onde se via pelas frestas mais uma Bajaj Plus 150 chegando, seguida por alguma PX ou Sprint Veloce. Os Moonstompers, constituídos de Skinheads, Rudes e Mods recobravam o espírito scooterboy e seus scooterfests com passos e danças invocadas do tempo dos bolachinhas de 45'. E a festa já teria valido a pena até aqui... mas teve mais.



Ao cair da noite a coleção de capacetes nos cantos era tão extensa que se poderia gastar dois ou três minutos procurando o seu. Nesse interim alguém puxou a ideia de um passeio noturno, e lá fomos nós. Quase quarenta motonetas desceram a calle 52 e tomaram as ruas do Centro de Bogotá. O comboio hora se dividia nos semáforos, hora se acotovelava. E pela primeira vez na história a Praça Choro Quevedo, marco do nascimento da cidade, foi invadida por um enxame jamais visto pelos nativos e notívagos da região. As casas bicentenárias, as ruas vazias e as luzes amarelas refletindo nos acessórios cromados assopravam poesia ao final do evento. De uma forma espontânea tudo aconteceu.


E foi um encontro e tanto, histórico, especial. Para mim, pela oportunidade de ter co-produzido algo internacional com tamanha aceitação e respeito, interpretado por todos como um "legado" ("y mucho gracias a ti que integraste diferentes parches; hay gente trabajando hombro a hombro que ni conocía", escreveu Maryzabel); e para a cena cachaca, que expressiva em identidade e estética, tem em seus principais agentes um invejável potencial de realizar, do zero, coisas tão grandiosas e simbólicas que em poucos lugares da América já se viu. A sensação que fica é a de que semana que vem teremos outro, e depois outro, e outro. Só que não. Ainda.

Fidelis, Maryzabel e Bovver
Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Dra.Cereza

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014


Como já divulgamos, nosso presida Marcio Fidelis está em missão diplomática pela Colômbia. Eis que entre uma garrafa e outra com os amigos colombianos de diversos clubes foi tomada a decisão de ser realizado o primeiro SCOOTERFEST colombiano. Nós da Scooteria Paulista nos sentimos orgulhosos e ao mesmo tempo gratos pelos amigos colombianos de permitirem que essa grande semente cultural seja plantada no meio scooterista de lá! A festa também será a despedida de Fidelis, que retorna para a Mooca no fim da semana.


Para los amigos colombianos: Entre unas polas y otras se tomó la decision de realizar el primer Scooterfest colombiano. La Scooteria Paulista se siente orgulloza por plantar una semilla en esta gran hacienda donde todos son bien recibidos.

BOGOTÁ SCOOTERFEST
DOMINGO - 14 SETIEMBRE
3PM - 9PM
CRA. 13 # 52 - 10 SANTA BOHEMIA
BOGOTÁ

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS NA TV UNO (COLÔMBIA)


Nesse sádado rolou aqui na Colômbia - aonde eu, Fidelis, estou - o primeiro Mods vs Rockers da América Latina a que se tem registro. O evento foi em Bogotá, capital do país, e a TV UNO apresentou em pleno horário nobre a reportagem sobre. Até eu dei uma palhinha aí. Depois conto mais...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS (COLÔMBIA)


Nesse sábado de 06 de setembro aconteceu aqui em Bogotá - sim, aqui estamos -, capital da Colômbia, o primeiro Mods vs Rockers da América Latina a que se tem notícia. E a exatos 50 anos depois da homérica batalha de Brighton (Inglaterra), aonde as tribos selaram sua rivalidade em todos os aspectos da cena juvenil, incluindo o estilo de viver em duas rodas. 

Fabio Croce Much e eu, Marcio Fidelis, aqui estamos, para rever amigos e prestigiar esse evento que, para nós, tem um quê da nossa história em Vespas na zona leste de Sao Paulo. Viemos de aviao e fomos muito bem acolhidos por todos os que encontramos, sobretudo o Vespa Club Bogotá, nesse momento capitaneado pela Maryzabel Cardeñas.

O evento foi sensacional, lúdico, perfeito. Além disso, os clubes e crews daqui se mobilizaram com a nossa chegada e preencheram o calendario da nossa estadia com diversos giros e visitas. Mary nos emprestou uma Vespa, a La Pelada, e nos deu carta branca para rodarmos sozinhos pela city. Em outras palavras, estamos nas nuvens.

Assim que puder, postarei os vídeos, reportagens, fotos e relatos. Saludos desde Locômbia.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

XI ENCONTRO DE LAMBRETTAS, VESPAS E MOTOS ANTIGAS DE JUNDIAÍ

No penúltimo domingo de agosto aconteceu o XI Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí, oficialmente o mais tradicional da categoria. O evento reuniu mais de 60 motonetas e 90 motocicletas ao todo - meu "achismo" -, e mais uma vez saiu tudo excelente. Eu, Fidelis, participo desde a edição número 4, e a conclusão que chego é que o São Pedro Lambretteiro (padroeiro do Motonetas Clássicas Campinas e amigos) costuma abençoar o Clube da Lambretta de Jundiaí nesse evento. Nunca choveu. Fica abaixo as linhas de Gustavo Delacorte (Santos) e Rafael Piera (Itatiba), membros da SP, que repartem conosco um pouco das percepções desse domingo legal.


Relato de Gustavo Delacorte

Ainda de ressaca pela "Copa das Copas", chegou a hora do XI (sim, 11º!) Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí, o evento mais tradicional da categoria no país, organizado pelo Clube da Lambretta de Jundiaí.

De Santos, saímos eu (Gustavo), Luca e Francesco (o Perucchinha). Sob forte neblina, deixamos a cidade para encontrar o pessoal que se concentraria no Largo do Arouche, em São Paulo. Faltando cerca de 3 quilômetros para o fim da subida da Serra a vespa do Luca apresentou um problema na embreagem que, infelizmente, não foi possível resolver na estrada. Ligamos para a Ecovias, que fez o socorro, e segui o roteiro em vôo solo, seguindo direto para o segundo ponto de encontro, em Pirituba.

Lá encontrei alguns amigos que já haviam chegado, e em poucos minutos a galera que se concentrou no Largo do Arouche chegou. Cafés tomados, águas do joelho aliviadas e tanques cheios, a turma se preparou para seguir em comboio rumo ao encontro. E que comboio!

Foi bonito ver dezenas de motonetas perfeitamente alinhadas em zigue-zague, eram 30 motorinos, ainda mais escoltadas por uma bela pick-up antiga, vermelha e branca, que na caçamba levava uma linda Lambretta LD. Outro ponto positivo é que nenhuma motoneta ficou "na rua". A turma tá tinindo!


Depois de bons quilômetros na Anhanguera, chegamos ao evento, que já estava lotado com muitos novos e velhos amigos. Na parte externa, dezenas de motonetas, entre elas Lambrettas LD, LI, Cynthia, Standard, TV (se não me engano), Motograziela, Vespas PX, Originale, Super, M3 e M4, muitas delas guerreiras urbanas e outras verdadeiras modelos de desfile. Todas reunidas pelo mesmo propósito, conviver em motonetas! E foi regado a pastéis, churrascos, suco de cevada e óleo 2 tempos que terminamos a agradável tarde em Jundiaí. Deixo aqui os parabéns ao Clube da Lambretta de Jundiaí pelo evento!





Relato de Rafael Piera


Dia 16 foi meu batismo na Scooteria Paulista e dia 24 meu primeiro encontro de motonetas pela associação. Aquela vontade de estar com ela no evento. Só um problema, minha vespa estava toda desmontada, praticamente morta, devido à idade. Assim, seu primeiro sinal de vida foi por volta das 16 horas, no sábado (23/08), mas ainda com muito trabalho para ser feito. Com empenho do Tatu, de Campinas, e do Animal, de Santo André, ficou pronta por volta das 20h30 daquele sábado.

No amanhecer do dia 24/08, às 7h30, já fazendo o teste drive de aprovação, nem acreditando que foi possível, o primeiro susto: o motor travou a 65km/h, num trajeto de 14km até a casa do meu irmão, em Plena Rodovia Dom Pedro, e arrastou uns 15 metros antes de destravar. Parei assustado por tamanho susto, dei uma nova partida e funcionou perfeitamente.

Retornando para ponto de origem para fazer a saída para Jundiaí, a vespa estava muito boa, só tinha um problema no manete de embreagem, onde as marchas estavam enroscando e o curso do manete não estava sendo suficiente, e quando colocava a primeira tinha que sair de imediato se não morria. Na saída de casa, coloquei a primeira e mesma saiu em uma disparada batendo o novo retrovisor na lixeira. Desequilibrado, coloquei o pé esquerdo no chão e não alcancei a guia e a motoneta caiu no chão. Um susto, um ralado no adesivo novo da lateral e no pára-choque do paralama dianteiro.

Me reestabeleci e dei uma nova partida e saí para Jundiaí, na maciota, sem forçar o motor, mas com grande dificuldade nas mudanças de marcha. Depois de 30 km bem sucedidos até a cheguei no evento as 13h00. Chegando lá só foi alegria, enfim uma cervejinha gelada, bastante papo furado, lindas motonetas e motos antigas, lanche de calabresa em outras coisas, Conversei sobre as dificuldades com o Tatu, combinamos fazer mais ajustes na embreagem, mas primeiro tinha que fazer o retorno para casa.


No final da tarde fizemos a despedida da colombiana Elizabete e fizemos a saída da Scooteria Paulista rumo a São Paulo. No caminho, virei à direita ruma a linda Itatiba, mais 30km de estrada, não ultrapassando dos 70km/h, amaciando o motor com mais algumas dificuldades de mudança de marcha, mas valeu a pena cada dificuldade e superação. Essa é verdadeira vontade de andar de Motoneta

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

FÉRIAS NO VELHO CONTINENTE

Durante o mês de julho o casal mais dois-tempista da SP, os paulistanos Daniel Turiani e Gisele Leiva, tomaram o avião para a Europa, aonde passariam as férias em tour pela Itália,  Portugal (e Espanha). E por lá também se divertiram (heheheheh), como conta Daniel:


Essa história já começou quando a outra terminou. Quem se lembra da ultima vez a nossa viagem para a Austria e o passeio pelo Alpes? Desde lá, o sonho de retornar para Europa e conhecer outros lugares em vespa se tornou o objetivo principal de todos nossos esforços ($$). Sendo assim, traçamos rotas, conciliamos sonhos com realidade e vocês verão o resultado disso em um breve relato dos cinco dias de aventuras sobre duas pequenas rodas.

Lisboa 15/07/14 – Aprox. 150km em 8h

Procuramos muito uma Vespa para alugar, mas não foi possível. Logo, brotam opções para alugar LML’s 125cc 4 Tempos automáticas, mas a proximidade com o cafofo (quarto alugado) foi que nos levou até a Lisbon Scooter. A motoneta não estava tão bem cuidada como esperávamos, com alguns problemas de alinhamento e no cavalete, mas já estava paga e não tinha outra opção, então topamos.


Saímos de Lisboa, passando por todo litoral em cidades como Belém, Estoril e Cascais, visitando Sintra, uma olhadinha no palácio em Queluz e retornando ainda no final do dia para devolver a motoneta. Difícil ser breve e passar as sensações do passeio. Posso dizer que Portugal é muito mais lindo do que eu esperava. As praias rochosas é uma paisagem que nunca havia visto. O vento forte e úmido cruzando a pista e lambendo o morro cheio de pasto é uma imagem inesquecível. Sem falar também do passeio por Sintra, dentro de uma reserva de mata em uma estrada que só passa um carro por vez. Por lá, meio que de repente, você se depara com um palacete Português, com seus azulejinhos azuis e arquitetura rebuscada.
Posso dizer que me senti em casa e que este país deixou saudades. A praia foi novidade, mas o passeio no geral lembra bem em algumas partes o nosso tradicional Raduno. Mato, calor, brisa do mar e uma sensação de verão eterno.

Florença / Pisa - 22/07/14 (Toscana das oliveiras) aprox. 230Km em 11h

Após alguns contatos pela internet, fizemos a reserva de uma Vespa 125 S numa das melhores locadora de moto, a Stradanova. Após um bate papo e troca de alguns adesivos e cartões da Scooteria Paulista, fizemos amizade com o proprietário que nos indicou as melhores estradas para passear. Lógico que eu havia estudado muito o caminho antes, mas isso me deu a certeza de que faria um belo passeio. Ele ficou admirado e nos tratou muito bem, pois a rota era ambiciosa e era incomum as pessoas fazerem aquilo numa 125cc. Visita na Piaggio em Pontedera, torre antiga em Caprona, a famosa torre de Pisa, a cidade antiga de Luca e outras pequenas e pitorescas cidades como Montecatini Terme, Vinci e Vitolini, foram as escolhidas da vez.
O objetivo deste dia foi cumprido com excelência, mas tive que apertar o passo em algumas cidades, deixando de curtir “o momento” em alguns casos. Nas auto-estradas italianas não é permitido rodar com motos abaixo de 125cc, restando somente as perimetrais e ruas das cidades, com todas suas restrições de circulação e velocidade.
Posso dizer que o caminho até Pisa não tem nada de emocionante a não ser por alguns quilômetros entre as arvores da cidade de Caprona. O museu da Piaggio tem todas as vespas que sonhamos, incluindo os 2 ou 3 protótipos testados, modelos de corrida, modelos que viajaram o mundo como a vespa do Sean Jordan (com o adesivo Scooterboys!), Vespacars e até um aviãozinho Piaggio. Mas pra ser sincero, acho que a magia está mais no que ela representa do que propriamente nos “objetos” e isso acabou me deixando com uma expectativa maior do que deveria. O ponto alto da visita foi conhecer 2 casais Austríacos que estavam viajando de vespa pela Itália. Pessoal bem bacana, que adorou receber os adesivos e em troca já adesivaram suas vespas. Quem sabe não é uma janela para uma próxima viagem?!
Pisa era o ponto médio da rota e após uma horinha de visita no belo parque onde está a torre (e é bonita demais), seguimos para Luca e as outras pequenas cidades. O passo daí pra frente foi apertado e em algumas horas acelerei a 125 S à 90km/h, chorando (a vespa e eu).
Nesta parte da viagem, tudo que o caminho anterior não tinha de encanto, este tinha de sobra. Viajamos por horas em pequenas cidades e principalmente por montes cheios de oliveiras, em um zigue zague que todo motociclista sonha. O tempo era bom e colaborou com o cenário, o qual o sol brincava de se esconder hora entre as nuvens, hora entre os montes e casinhas antigas. Por volta das 21:00 estávamos de volta em Florença, bem cansados mas já pensando no dia seguinte.

Florença / Montepulciano (Toscana dos Vinhos) aprox. 300km em 12h

É, não foi bem assim...O plano era rodar pela Toscana, passando por várias cidades e pequenas estradas até chegar em Montepulciano e retornar por outros caminhos até Florença. Porém a ambição foi grande demais e só consegui chegar até Montalcino, à 50km do planejado.


Esta viagem foi incrível de ponta a ponta. Já na saída de Florença, passamos pela piazza Michelangelo com vista para toda a cidade e na sequência já entramos nas pequenas estradas beirando os parreirais. Passamos beirando todo vale de Chianti, numa estrada levemente sinuosa, num clima bem gostoso, parecido com nossa primavera. Após 2 horas de viagem já chegamos em San Giminiano, uma cidade medieval fantástica. Passeamos a pé e depois seguimos para a cidade vizinha Cole Val di Elsa. Esta lembrava muito aquela primeira viagem que fizemos partindo de Roma, há dois anos. Ruas estreitas e casas muito antigas, com um velinho sentado na porta e uma senhora estendendo roupa. Padrão italiano de melancolia.
Pouco depois desta pitoresca cidade, vimos um castelo com suas altas muralhas em Monteriggione. Como tempo estava fechando e ameaçando uma baita chuva de verão, resolvemos seguir em frente direto para Siena. Chegando lá, deixamos a vespa longe do centro antigo devido às restrições de circulação e fomos conhecer a antiga e importante cidade dos tempos romanos. Deste ponto pra frente, as paisagens das plantações de girassóis se tornavam comum e se mesclavam com belos pastos formando a típica paisagem toscana.
A chuva ameaçou, mas quando ela desabou, já estávamos bem pra frente de Siena seguindo para a famosa cidade de Montalcino, conhecida por seus vinhos de classe mundial. Lá entramos de vespa e estacionamos do lado do castelo da cidade, desfrutando da vista panorâmica da região. Infelizmente não pude degustar (beber em termos chic) os vinhos, pois beber, dirigir e ser deportado não estava em meus planos. Um “gelato artigianale” bacanudo fez a vez e deu combustível para o corpo seguir para Montepulciano. Porém no meio da estrada, começamos a temer pelo horário e decidimos voltar para Siena e então pegar uma estrada diferente até Florença.
Tomamos a rota do vale Chianti, dessa vez passando entre os montes nas cidades de Abbadia, Lecchi, Gaiole, Strada in Chianti e finalmente Impruneta. Já era noite e sofremos um pouco para achar uma pequena passagem que nos levaria de volta para estrada perimetral de Florença. Viva o Gps! Na mesma noite, demos a sorte de encontrar com o cara que nos alugou a vespa e pudemos já fazer a devolução da pequena.

Bolzano / Passo Stelvio 26/07/14 – aprox. 200km em 6h

O Norte da Itália é o lugar mais difícil de alugar vespa e com muito sofrimento conseguimos uma ET4 125cc que uma pessoa alugava pra festas. Estava em péssimo estado, mas era o que tinha pra janta. A manhã estava com uma cara feia, mas não achei que choveria. Andamos poucos quilômetros e o mundo desabou. Como nossa viagem foi um mochilão, não tínhamos roupa de chuva ou coisa do tipo, somente uma capa de chuva bem fininha para andar na rua. Vesti a capa e passei alguns elásticos para prendê-la melhor ao corpo, mas mesmo assim ficamos encharcados.
O Passo Stelvio fica na divisa com a Suíça e é uma das estradas mais desejadas pelos motociclistas tanto pela sua sinuosidade quanto pela incrível paisagem. Toda a região tinha a cara de Áustria e construções tipicamente alemãs.
Rodamos uns 100km até o início do “Passo”, mas como a chuva e o frio de menos de 10° castigavam demais, resolvemos abortar a missão por segurança e falta de ânimo. O curioso do dia foi todos motociclistas muito bem paramentados olhando estranhamente para este casal, de roupas de passeio, capa de chuva de turista, elásticos, e uma mirrada vespa 125cc tentando seguir o caminho de Ducati’s e Bmw’s monstruosas. Retornamos muito tristes e rezando para o tempo melhorar no dia seguinte.

Bolzano / Cortina d’Ampezzo – 27/07/14 – aprox. 300km em 10h

Amanheceu, peguei a vespona, botei a jaqueta e fui viajar. Sim! O tempo havia melhorado, não era um sol, mas com certeza não teríamos chuva por algumas horas.


Saímos bem cedinho do hotel em direção as mais lindas estradas do norte italiano, onde as placas estão escritas em Italiano e Alemão (e às vezes em tcheco ou algo parecido também!). Destino final, Cortina d’Ampezzo, o lugar onde a italianada vai esquinar no inverno. O cenário era basicamente floresta, mas chegando bem próximo à Selva di Val Gardena, vimos o porquê todos os motociclistas e aventureiros vão para lá. A floresta se fundia com imensas montanhas rochosas, bem irregulares, meio que algo de marte. Um contraste que me fez parar por muitas vezes a vespa na beira da estrada e ficar lá só olhando.
Os “Passos”, estrada que atravessam estas montanhas são realmente incríveis e íngremes, mas o visual do topo de cada um, à aproximadamente 2mil metros de altura, é indescritível. Estivemos no Passo di Val Gardena, Passo Falzarego, Cortina d’Ampezzo, Passo di Giau (um dos mais difíceis devido à seqüência de curvas e inclinação), Passo Pordoi, Passo Sella e finalmente a estrada passando por Castelrutto até retornarmos. No meio do passeio o tempo fechou novamente e nos deram um banho bem pesado, porém não mais de uma hora. Para mim, este contra tempo não tirou o brilho do dia, muito menos deixei de acreditar ter sido o ponto alto da viagem em Vespa deste ano. Um lugar que tentarei retornar para refazer todos os caminhos e testar novas rotas.

Espero que todos tenham gostado dos relatos. Estou preparando um álbum de fotos para que todos possam olhar e sentir um pouco desses lugares incríveis que passei. Acredito cada vez mais que a Vespa, e talvez somente ela, tem o poder de mudar vidas e unir desconhecidos. Sou grato por nunca ter desistido da minha!

Relato por Daniel Turiani

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A PRIMEIRA ERA DOS COMBOIOS DE SÃO PAULO


Essa se passou na virada dos anos 50 para os 60, quando em São Paulo quase tudo era Lambretta (Standard D e LD). É uma foto da foto, que tirei num bar na Praça Roosevelt. Um dos lambrettistas desse comboio está sendo procurado por mim, para uma longa entrevista de respeito. Disse sua esposa que essa cena é de 1962. Algo aí te é familiar?

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

ALMANAQUE MOTORINO #4



Está em processo de criação a edição #4 (Mod Rod) do Almanaque Motorino. Essa capa foi anunciada no mês passado, adaptada do cartunista norte-americano Coghill, e por coincidência o tema veio a calhar, pois ele será lançado no primeiro "Mods x Rockers" organizado na América do Sul, cinquenta anos depois da grande batalha de Brighton - uma longa história. E esse encontro será em Bogotá, capital da Colômbia, no dia 6 de Setembro. Estaremos lá, o Fabio Croce "Much" e eu, Fidelis, representando a SP em seus dois aspectos, o scooterista e o musical. 

Anuncie sua loja, serviços, veículo ou marca nessa edição pelos valores de 50,00 a 80,00 Reais, e assim, além de se divulgar para um seleto público de cavalheiros e damas dois-tempistas, Mods, Skinheads, Rockers e Punks, ainda estará me dando uma força nessa inédita missão internacional.

O Motorino é um fanzine, ou seja, uma publicação independente e feita de maneira urgente e espontânea. O conteúdo é todo impresso em preto e branco - capa colorida. Serão 150 cópias, no tamanho de um gibi, a serem vendidos a 10 reais nos encontros da categoria, apresentações musicais, e via correio. 

Quando setembro vier...

ANUNCIE E APOIE A NOSSA PARTICIPAÇÃO NO
MODS X ROCKERS
Bogotá - Colômbia 2014