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sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011

Caros amigos, esse ano de 2011 foi próspero e marcante para a classe de modo geral. Organizamos eventos fora de série, e participamos de outros tantos, incluindo um encontro internacional. Destacamos então os nossos 'melhores momentos'...


VESPANDA. No dia 4 de Janeiro recebi em São José dos Campos o italiano milanês Ilário Lavarra, que cruzou toda a América, do Alasca à Patagônia, ida e volta em solo, sob a alcunha do projeto Vespanda. No mesmo dia encontrei o Danilo Lauxen, de Novo Hamburgo (RS), no meio do trajeto de uma aventura solo com sua Lambretta Li. Passamos os três uma tarde sem fronteiras no Vale do Paraíba.



CIRCUITO DAS MOTONETAS DE INTERLAGOS. No dia 16 de Janeiro a Free Willy Moto Peças e a Scooteria Paulista realizaram um inédito giro no Autódromo de Interlagos, o circuito oficial da Fórmula 1. Foi uma tarde de convivência e espera, assistindo às 500 Milhas de Motovelocidade até a tão sonhada volta no solo dos campeões da velocidade. Demos 4 voltas na pista. Inesquecível. Fizeram frente no evento os scooteristas das cidades de São Paulo, do ABC, de Taboão da Serra, Pedreira, Mogi das Cruzes e Jacareí.

Autódromo de Interlagos

SÃO ANIVESPAULO #3. Na terceira edição do aniversário da cidade de São Paulo, o homenageado da vez foi o futebol. Realizamos em 50 motonetas um giro de 70 kms entre os principais estádios da cidade: Pacaembu, Palestra Itália, Morumbi, Canindé, e finalizamos as 7 horas de encontro dentro do histórico Estádio da Javari (Juventus), da parceria entre a Scooteria Paulista e o Clube Atlético Juventus. Uma prova de fogo! Apesar do feriado acontecer somente na cidade de São Paulo, contamos nesse dia também com os amigos do ABC, de Cotia e Campinas.



VESPA 360 PROJECT. No dia 15 de abril recebemos no Estado de São Paulo o scooterista canadense Sean Jordan, que saíra da Sérvia com sua Vespa PX para dar uma volta de 360 graus em torno do planeta. Ele passou uma semana conosco, o tempo todo amparado pelos amigos da Scooteria das cidades de São Paulo e Santos. Sean partiu no dia 22, tendo brindado conosco o primeiro aniversário do nosso grupo.


SP EM 2T. No dia 5 de Junho realizamos a premiação deaniversário da Scooteria. As festividades que começaram no dia 21 de abril na Rua Augusta (com Sean e amigos), passaram por Monte Alegre do Sul, Jacareí e São José dos Campos, até que finalmente nos reunimos em peso na cidade de São Paulo para uma celebração à moda antiga. Naquele dia premiamos os destaques das categorias que consideramos imprescindíveis para o manutenção do scooterismo na SP: quilometragem, antiguidade em giro, veteranos em atividade e prestação voluntária de ajuda ao comboio. Presença de 40 motonetas das cidades de São Paulo, ABC, Taboão da Serra e Cotia.




BRASÃO. No final de Junho lançamos o novo brasão da Scooteria, criado por Marcio Fidelis, aonde está em destaque o preto, o branco e o vermelho da nossa bandeira das 13 listras.




NOITE DA MOTONETA. Na noite de terça-feira de 16 de Agosto realizamos, junto da promotora Autoshow Collection, um inédito encontro de motonetas no Sambódromo do Anhembi, local aonde também acontece a corrida da Fórmula Indy. O encontro foi seguido de um desfile com mais de 40 motonetas arrancando aplausos de duas mil pessoas, e roubando a cena da tradicional Noite Italiana do Anhembi. Presença maciça dos paulistanos, e dos amigos do ABC, Jacareí e Pedreira.



RED DE VESPISTAS ARGENTINOS. Na noite de 24 de Outubro recebemos na capital o visitante argentino Lucho Testa, diretor da RVA, trazendo para a SP alguns souvenires e o convite para participarmos do Dia Del Scooter Clásico, em dezembro. O breve contato que tivemos foi a semente de uma árvore que cresceria e traria seus primeiros frutos.






RADUNO DA PRIMAVERA #2. No dia 27 de Novembro nos reunimos em São Paulo e descemos em um grande comboio até a baixada santista, na segunda edição do encontro litorâneo da SP. O giro proporcionou experiências inesquecíveis de um movimento erguido na raça... Dessa vez contamos com a força dos representantes locais da Scooteria e a presença dos amigos de São Paulo, ABC, Taboão da Serra, Osasco, Americana, Campinas, Limeira, São Roque (SRVC) e claro, de Santos.


IN VESPA FIDELIS. No dia 4 de Dezembro, Marcio Fidelis partiu com sua Vespa Originale 150 rumo ao sul da sulamérica, com destino ao Dia Del Scooter Clásico, Buenos Aires (ARG). O In Vespa Fidelis foi amparado em espécie pelos amigos da SP e por diversos clubes e scooteristas por onde passou, e contou com o financiamento das marcas Free Willy Moto Pecas, RevistaMoto Esporte, Dare Lambrettas e M.Brasil. Foram 18 dias de viagem e superação em Vespa, acumulando o total de 5100 kms rodados entre três países: Brasil, Argentina e Uruguai.


DIA DEL SCOOTER CLÁSICO #3. No dia 11 de Dezembro aconteceu na capital da Argentina o maior encontro sul americano de scooters clássicas. Fabio Much e Marcio Fidelis estiveram lá representando a SP, e foram recebidos pelos hermanos com toda a hospitalidade possível. Much participou dos passeios com a Vespa Originale 150 do Joaquin da Fonseca, diretor da RVA. Fidelis trouxe para a SP o troféu Scooterista Más Lejano do DSC#3, entregue pela Red de Vespistas Argentinos aos destaques do evento.





VESPA CLUB TRIESTE (IT). No domingo de Natal recebemos na capital a visita do casal Maurizio e Roberta, vespistas integrantes do Vespa Club Trieste, do nordeste italiano. Vieram de avião, a passeio, e trouxeram alguns souvenires especialmente para a Scooteria. Noite com Fidelis, R.Assef, F.Much e Leo Russo. Pela madrugada Batman...




Citei acima as oficialidades que envolvem exclusivamente a Scooteria Paulista. Muitos outros clubes pelo Brasil continuam a milhão organizando seus giros locais, e certamente em 2012 nos encontraremos com eles. Dos encontros paulistas de 2011, destaco os que estivemos presentes, em algum grau, com algum comboio amigo, ou com o convite em mãos:

Estrada Parque Old Scooter (Itú, 20.Fevereiro)
Antigomobilismo e Similares de Monte Alegre do Sul (22.Abril)
VIII Encontro e Exposição de Motos Clássicas e Antigas de Poços de Caldas (MG, 11 e 12 de Junho)
XVI Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia (26.Junho)
VIII Encontro Moto e Cia Classic (São Paulo, 3.Julho)
Festa de Aniversário do Mecânico Tião (São Paulo, 10.Julho)
VII Encontro dos Amigos do Carro Antigo de Jaguariúna (17.Julho)
IV ABC Expocar (30 e 31.Julho)
IV Poços de Caldas Car (06 e 07 Agosto)
VIII Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí (28.Agosto)
Show do Oskarface em São Miguel Paulista (23.Outubro)
Feira de Discos na Vila Madalena (30.Outubro)
Passeio de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas em Campinas (11.Dezembro)
Despedida Free Willy 2011 (18.Dezembro)
Garajão do Julião / Recepção In Vespa Fidelis (21.Dezembro)

Além desses giros, realizamos outros tantos informais em quantidade e entre amigos pela cidade de São Paulo, Santos, Jacareí e São José dos Campos. E vale dizer que a maioria dos integrantes da rede Scooteria são pilotos de fato, e com frequência estão nas pistas, sozinhos ou acompanhados. Dia e noite, noite e dia!

Em 2011 o motor esquentou como nunca. As Vespas e as Lambrettas invadiram ruas, estradas, eventos, bares, lanchonetes, garagens, festas, e toda a sorte (ou a má-sorte) de lugares possíveis. Isso exclusivamente por um motivo: pilotar. E pilotando por aí, notamos que fomos notados. No decorrer do ano tivemos destaque na mídia nacional, e vale a pena recaptular atraves dos links:

JORNAL DA GAZETA (TV Gazeta)

Revista ÉPOCA (SÃO PAULO)

Flavio Gomes (ESPN Brasil / Rádio Bandeirantes etc)

MAIS VOCÊ (Rede Globo)

Comercial da VIVO (Especial Dia dos Namorados)

Calendário PORTAL MAXICAR (Rio de Janeiro)

PROGRAMA ACELERA MOTOR (Sobre a Noite da Motoneta)

REVISTA MOTO ESPORTE (Coluna de Marcio Fidelis)

FOLHA VP (Jornal da Vila Prudente)

A TRIBUNA (Jornal impresso de Santos e região)

DIÁRIO DE SANTA MARIA (Jornal impresso no Rio Grande do Sul)

REVISTA DA MOOCA (Revista impressa do bairro da Mooca e região)





GRATIDÕES À TODOS OS SCOOTERISTAS QUE FAZEM AS RUAS MAIS BELAS
DESEJAMOS A VOCÊ UMA DIVERTIDA FESTANÇA DE REVEILLON, E UM PRÓSPERO 2012

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ROSA FREITAG no MAIS VOCÊ (Globo)


Nossa amiga Rosa Freitag e sua Vespa PX participaram de uma matéria sobre o mercado feminino das scooters, realizada pelo Mais Você, programa da Rede Globo apresentado pela Ana Maria Braga. E de lambuja o Mario também faz uma ponta, com sua Piaggio Beverly. A matéria foi ao ar no dia 9 de dezembro.

Assista no link: MAIS VOCÊ

IN VESPA FIDELIS na REVISTA DA MOOCA


Cheguei de viagem e... Saiu na Revista da Mooca (No.2 / Dezembro 2011) uma matéria sobre a Scooteria Paulista e a viagem "In Vespa Fidelis" rumo à Argentina/Uruguay/sul do Brasil. Se alguém quiser um exemplar escreva para o nosso e-mail que conseguiremos mais cópias: scooteriapaulista@gmail.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

IN VESPA FIDELIS no DIÁRIO DE SANTA MARIA (RS)


Saiu uma nota sobre a viagem "In Vespa Fidelis" rumo à Argentina no jornal Diário de Santa Maria, do Rio Grande do Sul. O jornal foi às bancas no dia 10 de dezembro, quando eu já chegava em Buenos Aires, e dias depois o estimado casal Stello/Cris, fundadores do grupo Herdeiros do Passado, enviou-nos um exemplar para  o memorial da SP.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

T5: O Troféu de Ayrton Senna


Happy New Year!! Bem amigos da Rede... O ano chega ao fim, e parece que nesse, em especial, bateu uma saudade geral do nosso herói. Essa foto é uma indicação do vespista Gustavo Delacorte, de quando o paulistano Ayrton Senna, com o lendário Lotus John Player Special, conquistou a Pole Position do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1, no Circuito de Monza. Pelo feito, ele foi premiado com uma Vespa T5, o mais novo lançamento da Piaggio naquele ano de 1985... Ela conquistaria o mundo, assim como o garoto em cima dela. Senna teve uma estreita relação com a Piaggio. O ex-gerente de um restaurante de Campinas (SP) escrevera  no site da Globo EPTV sobre a essa proximidade, e a frase que ouviu do próprio Ayrton Senna da Silva: "Pois devia comprar uma Vespa, Você vai adorar dirigir uma, tenho certeza". 

À todos(as) os(as) scooteristas, entusiastas e leitores desse blog, uma boa festança e um feliz ano novo!!  Prosperidade, saúde e paz, que o resto, esfumaçando a gente corre atrás!!

...”É um destino cruel para aqueles que têm uma alma obediente e um coração fora-da-lei”
(Giorgio Betinelli).

sábado, 24 de dezembro de 2011

Manifesto do DIA DEL SCOOTER CLÁSICO



Los bichos en la notche tienen mejor sabor. 
Hogar es el sitio donde tu motoneta está el tiempo suficiente como para dejar algunas gotas de aceite en el suelo. Las motonetas no pierden aceite, marcan su territorio.
La mejor forma de ver una tormenta es através de tu espejo retrovisor.
Si tú no manejas en la lluvia, entonces no manejas.
Una motoneta en el camino, es mejor que dos en el garaje.
Los scooteristas jóvenes eligen un destino y parten, los scooteristas antiguos eligen una dirección y parten.
Un buen mecánico te dejará mirar sin cobrarte por ello. 
A veces, la forma más rápida de llegar es parando de noche. 
El invierno es la forma que tiene la naturaleza para recordarnos acondicionar y limpiar nuestra motoneta.
Los reflejos bien entrenados son más rápidos que la suerte.
El mejor reloj despertador es el reflejo del sol sobre los cromados.
Un amigo es alguien que se levanta a las 2h a.m. para ir en su camioneta a buscarte al fin del mundo.
30 autos juntos son un embotellamiento, 300 motonetas juntas son una reunion de amigos!!!

(do Troféu DSC#3 ao Scooterista Más Lejano)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ETAPA FINAL: A CHEGADA!

BR 10 1
Dia e Noite, Noite e Dia. Saí de Florianópolis às 18h e segui direto pra Joinville, ao encontro com meu primo-amigo Cristino. Do caminho falei com o Adriano Elcana, de Blumenau, que se preparava para uma viagem ao litoral. Apreciaria um café com o amigo mas não havia mais tempo. Liguei para o Jack e para o Ito, ambos de Curitiba, para posicioná-los do meu itinerário. Gostaria de encontrá-los no dia seguinte.



Na minha última noite de viagem já não encontrava novidades. Com o céu estrelado de final de primavera rodei os 180 kms até a encantadora Joinville, e sob as luzes de Natal do Terminal Central re-encontrei "o tio da fenemê"...rs, meu amigo de longa data. Tomamos uma cerveja com fritas e assuntamos sobre viagens e acontecimentos. Naquela noite fazia calor, contrastando com o aspecto das últimas semanas de chuvas na cidade. Dormi muito bem e acordei às 8h com uma cuia de Tereré gelado em mãos, nosso velho hábito dos tempos de convivência no oeste paulista e no norte do Paraná. Antes de partir, Cristino fez questão de que eu comesse ao menos um croissant com suco, topei. Um amigo! Mal sabia eu que seria essa a minha única refeição do dia. Ao parar no banco descobri que meu último dinheiro havia sido debitado pela conta do telefone da SP (011 3297-8733). E tudo o que me restava eram duas notas de 50 Reais e a fé. Nos despedimos no portal de Joinville e sob um intenso sol das 10h voltei para a BR 101.


Cristino e Fidelis em Joinville
Estava determinado à passar em Fazenda Rio Grande (PR) para dar um abraço de agradecimento no Felipe/Fernando da Naza Moto Peças, e na volta tomar um café expresso com os amigos curitibanos. Jack de prontidão com o scootercel por lá. Então enrolei o cabo no vácuo de um caminhão-cegonha por 20 kms na média dos 90km/h, até que, num piscar de olhos o meu motor lançou aquele barulho fatal de pistão! Há muito tempo tenho o hábito de manter a mão esquerda no manete, com dois dedos sobre o manicoto da embreagem. Creio que ali não dei tempo para o pistão travar de fato, ao ouvir o barulho, puxei a embreagem e parei no mato. Esperei por dez minutos, joguei 200 ml de óleo no tanque liguei a moto novamente. Dali em diante o desempenho dela havia despecando dos 90km/h para os 55km/h. Apreensivo e confuso prossegui viagem pelo acostamento, arrependido por ter exigido mais do que a Vespa poderia suportar naquele fim de jornada. Rodei por 20 kms lentos até encontrar algum estabelecimento pela rota. Mas não havia. Aquele é um trecho de Mata Atlântica preservada, e só o que encontrei no caminho foi uma bela queda d'água à beira-pista. Parei a moto, tirei a bota e entrei embaixo d'água. Recomeçava dali uma nova situação vivida em Vespa.


PARANÁ

God Bless the Child. De cabeça fria e motor quente saquei o giclê e a vela pra fora. Ambos estavam em condições normais. Esperei por 40 minutos na sombra e então reuni a bagagem e liguei a Vespa. No primeiro quilômetro rodado o desempenho alterava sutilmente subindo dos 55km/h para os amarrados 65km/h. Meu tempo se encurtava, e ali compreendi que não poderia mais visitar ninguém adiante. Precisava estar em São Paulo no fim da tarde para a festa de recepção preparada pelos amigos da Scooteria. A Vespa não conseguia manter uma regularidade, hora caía de ritmo, hora subia, e com aquele calor de 38 graus (medidos no termômetro de um caminhoneiro que conheci no posto adiante), o pistão dilatado já comunicava sua fadiga. Sentia o vapor dentro do capacete, o vento quente à minha direita, o sol assando os meus braços e o cansaço de uma viagem preparada às pressas. Confuso e inseguro, orei! No ritmo dos 60km/h pelo acostamento da pista, pedi a Deus a mesma proteção e força que me dera durante toda essa viagem. Li na placa: "São Paulo - 432 kms". E com o calor da fé no peito meu último amém caiu como uma mágica. Naquele mesmo minuto o meu motor roncou mais forte e disparou para os 90km/h. Um sentimento de nobreza tomou meu coração, e enchi a viseira de lágrimas. E assim entrei no Estado do Paraná, com a certeza de que eu chegaria em São Paulo a noite. Disse depois o Fabio Much: "Deus também é 2 Tempos"...rs.

SÃO PAULO

Back In Your Arms. A viagem prosseguia tranquila apesar do sol fervente. Entrei no Estado de São Paulo por volta das 15h, sob um calor de 38 graus. Ficava apreensivo com a temperatura do asfalto no desgastado pneu Rinaldi. Nas duas vezes que explodira a câmera de ar (a caminho do CWB em Vespa 2010, e nesse ano na Av. 23 de Maio, na capital) fazia um calor semelhante. Porém preciso destacar que os pneus resistiram intocáveis por toda a viagem. Os buracos da BR 116 me deixavam furioso na pista. Essa é uma das principais ligações entre o sul brasileiro e o restante do país, e em alguns trechos o descuido com o asfalto certamente já provocara acidentes irreparáveis. O "detalhe" disso é que há quatro ou cinco pedágios entre Curitiba e São Paulo.

Divisa Paraná x São Paulo





Parei por diversas vezes para esfriar o motorino e aproveitava para completar o tanque e lavar o rosto. Meu dinheiro chegava nas últimas e torcia para não precisar de um borracheiro, guincho ou qualquer serviço pago. Fiz uma longa pausa em Cajati, aonde conversei por bastante tempo com uma turminha de pré-adolescentes no posto. A molecada admirava a Vespa, e queria saber tudo sobre como andar em uma: "aonde fica a marcha? E o freio? Chega até quantos km/h? A roda é pequena, já caiu dentro de algum buraco?". Por ali encontrei colado na porta o adesivo da Scooteria Paulista feito pelo Uitamar Bandeira especialmente para o Curitiba em Vespa 2010. Naquela ocasião ele, eu e o Emerson Mestrinelli paramos por ali também.

Então prossegui no ritmo dos 80km/h. Passei por Registro e abasteci em Juquiá. Me restavam 45 reais e 170 kms finais. Parei em Santa Rita do Ribeira, numa fonte de água da nascente, e logo adiante, numa barraca de água de côco. A melhor bebida do mundo depois da cerveja...rs.  Na região de São Lourenço adentrei um engarrafamento de 15 kms na serra. Um caminhão havia capotado à beira da pista e uma grande equipe de paramédicos, guinchos, bombeiros e policiais trabalhavam para retirar o motorista das ferragens. Cena censurada! Às 18h passava por Embu das Artes. Dali em diante eu me re-encontrava com o velho cenário da grande São Paulo. Cortei Taboão da Serra por dentro e às 19h15, em meio ao ritmo frenético da metrópoli eu avistava o centro de São Paulo. Quantas saudades eu senti! 
São Paulo
O pôr-do-sol amanteigado destacava de longe as curvas do Edifício Copam. Antes de chegar à festa parei na Padaria do Estadão e pedi um prato feito com batata e calabreza. Aí sim! Às 20h cheguei na porta da Trackers, quando num pulo só vieram o Reginaldo e a Rose com abraço do tamanho da cidade. Grandes amigos, daqueles que não se mede palavras. O Haine viera de Taboão, e o Flavio de Campinas, trazendo na face toda a expressão de respeito e afeto. O Rubinho, cicerone, já estava lá com tudo em cima. Chegava na sequência o Sergio Andrade, o China, a Vanessa com o Alessandro, o Fabio Much, o Koré e a Cris. Então o Leo Russo e a Claudia, o Afonso, o Rafa Assef, a Luciana, a Carol, o Corazzin, a estreante Anne Dolçan (seja bem-vinda à classe). A maioria viera direto do trabalho para a festa. Os veteranos Alfredo e Paolo Vanucci trazendo um generoso gesto de respeito à minha aventura. Estacionamos as nossas motonetas na Avenida São João e brindamos com os olhos sobre elas, ao som da música de rua, do segundo andar da Trackers Tower. E esse foi o último capítulo da viagem, a chegada, junto dos meus amigos, scooteristas ou não, com vinte reais no bolso e a glória de uma longa história escrita com óleo 2 Tempos, minha Vespa e eu, brindando à vida, como ela não é precisa.


"Ser feliz é deixar de ser vitima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É saber falar de si mesmo. É não ter medo dos próprios sentimentos…" (Fernando Pessoa).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Etapa 9: Porto Alegre (RS) - Florianópolis (SC)

Rockaway Beach. Saí às 15h40 de Porto Alegre, e conforme as indicações dos scooteristas do Vesbretta tomei o caminho de Osório (RS) pela rota Free Way, a 290. No princípio da estrada minha Vespa apresentou uma considerável queda de rendimento. Chegava nos 60km/h chorando. Parei, olhei. Algo estava fora da ordem. Logo que cheguei num posto liguei para o Reginaldo na Free Willy, em São Paulo, afim de pegar um diagnóstico do patrocinador: "Tem compressão"? Tem; "algum barulho diferente?" Não! Conselho da casa: "Saca pra fora os giclês, limpa eles, troca a vela, e se prosseguir sem rendimento prossiga a viagem sem o filtro do carburador". Obedeci a todas as instruções. 
E sem testar o rendimento, fechei o carburador sem o filtro e sai em disparada. Pernas, para que te quero?  Passava das 17h e eu ainda estava em Porto Alegre, precisava apertar o passo pois teria 450 kms de pista até a próxima etapa: Florianópolis. De fato voltei aos 85-90km/h de outrora, disputando terreno com qualquer CG. Passei por Alvorada e na altura de Gravataí dei uma parada para descanso do motorino. Tentei ali acessar a internet, mas fiquei no quase. Completei o tanque e enrolei o cabo até a cidade de Osório, por onde conheci a Laguna dos Barros e pude contemplar de longe os cataventos do Parque Eólico. Fiz nova parada em Três Cachoeiras (RS) à beira da BR 101 e finalmente cruzei a divisa RS x SC, sob o pôr-do-sol e uma agradável brisa das prévias do verão.

Divisa Rio Grande do Sul x Santa Catarina

O motor mantinha um excelente desempenho, sobretudo quando escureceu e a temperatuda baixou. Com o restante da luz do sol e a 90km/h pude ainda contemplar a vista da Lagoa do Sombrio, e dali em diante tomei na escuridão um trecho bastante esburacado da pista. Os caminhoneiros que pegavam essa rota devia conhecê-las muito bem, pois mesmo nos trechos mais estreitos e esburacados eles passavam no grau feito rolo compressor. Eu temia não ser notado por eles na estrada, então pilotava com um olho do peixe e outro no gato, usando os piscas da Vespa para alertá-los das minhas manobras. Em Araranguá (SC) fiz uma parada mais longa. Funcionários e clientes de um posto de combustível rodearam a minha Vespa, animados com a peça e com o meu feito. Curioso é que todo mundo tem uma parente que foi 'lambreteiro' e 'louco' ao mesmo tempo...rs. Depois que o motor esfriou por completo segui na mesma tocada, carregando na mente toda a natureza de pensamentos sobre o ser humano, e no peito uma determinação sem igual. Minha viseira já estava completamente suja com tantos insetos atropelados pelo caminho. Em partes eu me guiava pelas lanternas dos caminhões e carros, prevendo a distância e o grau das próximas curvas. Depois de Capivari de Baixo, atravessei a Lagoa de Santo Antônio por uma extensa ponte, e tentava de cima dela captar qualquer imagem possível da paisagem. 

As luzes amarelas do poste sobre a ponte também proporcionava uma sensação bastante rica do percurso, e somado ao cheiro acentuado do mar, uma nova carga de energia não me deixava parar. Sempre em frente! Na região de Imbituba completei o tanque e fiz outra longa pausa. Já era 23h, e o ritmo manso da estrada me animava a calma. Na cidade encontrei uma Lan House aberta, e foi de lá que atualizei o último post desse blog. Ao contrário do conselho das bondosas pessoas daquele lugar, decidi seguir adiante e completar a etapa dessa viagem até a capital catarinense. Enrolei o cabo na escuridão e quadrupliquei a atenção à frente, uma vez que não precisava mais me preocupar com o tráfego às minhas costas. Pela madrugada (Batman) passei por Paulo Lopes e finalmente eu via o mar catarinense sob as luzes do começo de Palhoça. Paguei o pedágio e segui na febre, passando direto por São José, região metropolitana da capital, e de onde já se sentia o clima praiano. E finalmente, às prévias da entrada da ilha de Florianópolis encontrei um hotel barato e ali fiquei. Era 2 da manhã e sabia que ali seria minha melhor das últimas opções de descanso, pois no miolo da cidade, em plena alta temporada, eu tomaria um prejuízo de milionário. Um sujeito no Hotel Cruzeiro me atendeu com toda a insatisfação do mundo, como se eu estivesse estorvando o seu sono em hora imprópria. A placa do hotel dizia em vermelho batom: 24 horas. Em vista de todas as condições que eu me encontrava, aquele sapo eu engoli. Paguei, subi as minhas coisas pro quarto 101 e desci para procurar algo para comer - conforme eu havia dito ao sujeito -  pois não me alimentava desde às 13h. E para meu desafeto o homem-sapo tinha ido dormir na beira do rio e me deixara trancado no hotel. Bebi muita água para enganar o estômago, e fui pra cama com um sentimento de fúria no peito e na mente. Fúria porque é o dinheiro que manda nessas pessoas, e é somente por ele que elas correm, pulam e quacham.


UMA TARDE NA OFICINA MODERNISTA

No dia seguinte devorei o desjejum e passei a manhã atualizando os assuntos da viagem. Recebi então um email do Marco Zonta, um vêneto da Itália, membro do Vespa Club Montegrappa, que desde 2004 vive em Florianópolis. Faz um ano que trocamos correspondências, e da última vez que fora para a Itália, trouxe-me alguns souvenires originais do Vespa Club Itália. Aqui em Florianópolis ele vem montando com muito zelo a Oficina Modernista, um espaço vespístico à beira da Lagoa da Conceição. Um lugar fantástico que o faz lembrar da terra natal, porém com uma pulsante cultura mod e cultura scooter espalhadas pela casa. Fui ao seu encontro retribuir a atenção que tivera comigo e com a Scooteria nos últimos meses. Marco procura uma Vespa para comprar e amigos para compartilhar do mesmo gosto. Avisei-lhe do Santa Catarina em Vespa e Lambretta, evento próximo, que lá encontrará seus vizinhos da classe.



Marco, Modigliani, Fidelis
Marco vem escrevendo um grande livro em que narra diversas aventuras que vivera nos últimos encontros europeus, e giros solitários em Vespa. Uma literatura fantástica no qual ele classifica diversos tipos scooterísticos de lá. Classificou-me então como um Vespista Explorer. É isso aí! Conversamos sobre clubes, Vespas x Lambrettas, a moda em voga, paixão pelo estilo de vida errante, acessórios, imigração italiana etc. Desfrutei da Lagoa Conceição e da bela vista panorâmica da praia local, além da entusiasmada companhia do Marco Zonta, que apresentarei à classe no próximo carnaval. Para chegar na Oficina Modernista é preciso cruzar a lagoa num bote, ou a nado. Devo-lhe dizer que seria fantástico uma visita da classe à esse lugar. Só vendo para entender!

Queria ter passado mais tempo aqui também, mas devo concluir meus 800kms restantes até o centro da cidade de São Paulo. Amanhã dia 21 de dezembro os amigos da Scooteria e a Trackers Tower farão uma festança de recepção para mim, das 18h às 23h na Trackers Tower, um edifício antigo outrora desativado. Detalhe: scooterista e garupa é VIP, basta apresentar o documento da motoneta na porta. Rua Dom José de Barros, esquina com a Avenida São João, no Centro antigo, no Largo do Paysandú. Portanto, lá estarei em ponto!

Quarta-feira, das 19h às 23h

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ETAPA 8: Santa Vitória do Palmar - Porto Alegre (RS)

I'M GOING HOME. Acordei por volta das 9h e abri a janela para ver o dia. Chovia fino e fazia frio. Estamos no sul do Rio Grande do Sul: minha inseparável Vespa e eu. Enquanto organizava os textos no meu computador, descansava as costas nos travesseiros. E vão me perguntar lá em São Paulo: "e como ficou suas costas nessa viagem"? Acho que vou responder: "quando eu pilotava, colocava ela na mochila". Há um fundo de verdade nisso. Nessa manhã assisti ao meu time, o Santos, tomar uma goleada do Barcelona na final do Mundial de Clubes. Infelizmente terei de esperar mais um ano, ou uns. Chovia, e eu tremia só de ver a água no vidro da janela. Lá pelas 11h30 saí para sacar dinheiro e almoçar. Precisava de um bom prato, e nada como estar no Rio Grande do Sul para isso. Comi muito bem, sobretudo as carnes. Quando voltei, tomei um banho e então passei duas horas a mais naquele hotel, o Hotel Turismo, aproveitando o tempo para atualizar notícias minhas na internet particular de um cordial atendente que me emprestou seu 3G (Pen Drive). Conferi os recados dos amigos e atualizei o Blog da Scooteria (este) com os relatos e fotos da etapa da viagem cumprida ontem, quando cruzei a fronteira de volta pra minha pátria. Acho que passava das 13h30 quando ajeitei minhas coisas na Vespa, vesti a capa de chuva e parti, deixando para trás aquele simplório pedaço de Brasil.

A cada posto eu me informava sobre a distância até o seguinte. As pessoas me alertavam: "gasolina não vai ser o seu problema, o problema são os bichos pela estrada". Fato! Na noite anterior por muito pouco não atropelei um gambá na pista quando entrava no Brasil pelo Chuí. O aviso dos frentistas nesse momento me serviu de alerta. Dobrei a atenção na pista e no mato à beira dela. Só que é preciso dizer também que essa é a BR471, e ela atravessava um campado imponentemente verde, ou um ecossistema único. Há muita vida ali! E esse era o meu vislumbre e a minha preocupação. Era um olho na faixa e outro no mato. No horizonte da estrada chuva se apresentava a cerca de 30 kms adiante...


Pelas 15h30 passei por uma ligeira nuvem garoante, suave. Ao longe avistava o azul do fundo do céu. Fazia uma hora e meia que eu estava na estrada, na BR471, e em algum momento passei devagar por um mata-burros na pista. Aquele era o início da zona de perigo e encantamento: a Estação Ecológica Taim. De imediato avistei dois enormes cães de guarda à beira da pista, em frente a uma casa sem portão. Então eles se levantaram, olhando firmemente para mim como quem esperava a hora do bote. Acho que o barulho de um motor 2 Tempos incomoda ou agride os ouvidos dos cães, porque me passou um filme na cabeça de quantos cachorros já correram atrás de mim na rua. Só que ali meu coração saía pela boca! Conforme eu me aproximava um deles andava para o meio da estrada, bloqueando minha passagem. Acelerei no meu limite, os parcos 90km/h que me restavam. E tomei a contra-mão, pois a minha pista já estava "bloqueada": 
Esses dois eram quietos, não latiam, eram inteligentes, e pareciam trabalhar em dupla. E estavam ali para protegerem a casa grande de toda espécie de animal silvestre. Então um deles veio, como um enorme Puma na hora da janta. Vi os dentes daquele cão brilhar embaixo de mim. Não era um sorriso, e seus dentes eram melhores do que os meus. Por muito pouco não tomei uma mordida na bota.



Passado o susto, veio a fauna toda: capivaras, cobras, aves, guaxinins, 'sohos', cisnes (?), gambás, tatus, jacarés (o do papo amarelo) e um felino em extinsão que não sei o nome mas gostaria de saber. Pelos pampas se via os cavalos e bois bem tratados. Também o arrozal tomando todo o banhado. Bem que o Joaquin da Fonseca (RVA) escrevera: “você está na região do arroz”. Lá pela metade do caminho avistei uma ninhada correndo pelo asfalto, do que parecia ser filhotes de capivara, mas que mais tarde descobri se tratar de um bicho nativo apelidado de Ratão do Banhado. Eram muitos, uns 15 ou mais. Baixei as marchas e toquei a bozina para dispersá-los. Sempre em frente! Olhos vidrados no asfalto e na vegetação à beira-pista. A qualquer momento eu poderia ser surpreendido por algum bicho distraído ou apressado. Ou até mesmo por algum que me elegesse o prato do dia: carne de vespista. Ok, não era pra tanto, mas devo dizer que apesar da cautela indispensável naquele trecho, a cena nativa é fantástica, e quase toda a extensão dessa pista é margeada por belos corixos azuis, levando água e vida por quilômetros a fio.

Rodei pela BR471 o total de 180 kms naquela tarde. Era quase 18h quando cheguei no município de Rio Grande. Os casebres de madeira e muro baixo me encantavam por ali. Completei o tanque e liguei para o Sérgio, scooterista e restaurador, ele me aguardaria em Porto Alegre (RS). Disse-lhe que estava atrasado e que não se preocupasse comigo, pois não queria confundir os seus horários rotineiros. Sergio fora bastante solícito, e se dispôs a me ajudar a qualquer hora. Marcamos para o dia seguinte (segunda-feira) um café ou almoço, e assim prossegui viagem.


Enrolei o cabo e disputando espaço entre caminhões e ônibus de turismo fui avançando sob o pôr-do-sol. Por diversas vezes fiquei prensado entre eles naquela estreita pista dupla. Uma dica? Não façam o que digo, muito menos o que faço. Em meia hora eu já estava em Pelotas. Adiante, no município de Turuçu completei novamente o tanque. E entrava na BR 116, uma rodovia sem fim... As mariposas, e todo o tipo de inseto voador saíra pra pista. Aquela era a hora da janta e na estrada estavam milhões à minha frente, estourando na viseira do meu capacete, no escudo da Vespa e no meu corpo. Alguns eram tão grandes quanto uma bola de gude. 

Segui cortando São Lourenço do Sul, na média dos 85km/h. Abasteci em  Camaquã pela última vez e tomei informações sobre Porto Alegre com um senhor bastante gentil que me explicara um pouco sobre o percurso noturno da rodovia. Com atenção redobrada no breu da BR-116 completei meus últimos 80 kms de viagem até as luzes Guaíba. Pista de mão dupla com movimento maior rumo à capital naquele horário. A vegetação até encostava na pista, e as árvores formavam túneis pelo caminho. 

Dali em diante, cruzei pelas pontes da Baía de Guaíba até que finalmente, à meia-noite, eu entrava na iluminada e urgente capital gaúcha. Parei em dois hotéis nas proximidades da rodoviária e fui mal-atendido em ambos, quando você tem a certeza de que está incomodando o atendente ao perguntar o valor da pernoite... Continuei à procura de um leito enquanto observava o cotidiano obscuro da madrugada: traficantes, prostitutas, travestis, homens comuns do norte, outros do sul. Rodei por 15 minutos pelo centrão. Na Avenida Farroupilha encontrei um lugar bastante simpático: Hotel Caju. A atendente era gentil e espirituosa. Por ali fiquei, num quarto bastante simples e silencioso. O hotel parecia vazio, ou as pessoas deviam estar todas dormindo. A internet não funcionou naquela noite, depois descobri que só acessava pelo refeitório. Então pelas 2h30 da manhã devo ter dormido ao lado do computador.


MEU ENCONTRO COM O VESBRETTA

Na segunda pela manhã a atendente trouxe-me o recado de que o Sergio havia me ligado no hotel. Retornei a ligação e sua filha me passara os telefones do Carlão e do Felipe. O Carlão estava na estrada, vindo de Santa Maria de carro ao meu encontro. Estava a 300 kms de Porto Alegre, mas já anunciando um churrasco daqueles. Disse-lhe então que infelizmente eu teria que seguir viagem nas horas seguintes e não poderia esperá-lo, pois necessito cumprir meu prazo de chegada em São Paulo: quarta-feira dia 21 de dezembro. Falei com o Felipe, que estava com o Sergio no carro, ambos estavam na labuta do começo da semana. Todavia o Felipe e o Sergio vieram ao meu encontro, num posto de combustível na Avenida Farroupilha. Por uma hora e meia conversamos de tudo um pouco. Falamos sobre o Curitiba em Vespa 2010, sobre as interpretações do meu diário de bordo, e sobre postura.

Fidelis, Felipe TK e Sergio, em Porto Alegre


Eles são membros do Motoneta Amigos Vesbretta, uma turma que com essa alcunha (desde 2007)  coleciona histórias vividas nas rodovias do sul em cima de Vespas e de Lambrettas. São uma dúzia de amigos, livres, e que se entendem e decidem os passos conforme a ciência de cada um sobre o assunto. Felipe conhece com detalhes as estradas do sul, e me deixou a par da rota que logo mais eu tomaria rumo à Florianópolis. O Sérgio, sujeito quilometrado, desde que começou a ter problemas com sua Vespa, aprendeu a fuçar no motor, e com o passar dos anos a curiosidade virou profissão. Hoje ele tem uma oficina em sua casa, que leva o nome de Ophicina das Clássicas. O Carlão pelo fone me avisou: “Fidelis, eles vão te dar um tanque de combustível e um pote de óleo”. De fato antes de partir eles me deram o suficiente pra gasolina, óleo e também para o pedágio até o fim do Estado. A frase do dia: “esse dinheiro é pra você, a gente quer ter certeza de que você vai consegui sair do Rio Grande”...rs. Devo-lhes dizer que o grupo Vesbretta foi bastante solícito comigo desde que souberam da minha viagem. Que não me interpretem mal, mas infelizmente minha conversa com eles foi bastante curta, porém suficiente para depositar-lhes minha estima. Até hoje não fazem questão alguma de destacarem um presidente para o grupo; e adaptando a máxima do TK: “Quem é rei se faz majestade”.

domingo, 18 de dezembro de 2011

ETAPA 7: Montevidéu (UR) - Santa Vitória do Palmar (BR)

Bringing It All Back Home. Saí de Montevidéu de fato às 15h, depois do almoço com o casal Los Avespinos e do passeio na garoa pela cidade. Com o mar à minha direita e o vento também, tomei o rumo do norte debaixo de chuva, o que foi uma grande lástima pois além de não desfrutar das águas, não pude fazer fotos do caminho. Para meu deleite, eu poderia contar Bajaj's e Vespas PX200 aos montes pelo caminho. Achei oito ou nove no raio rodoviário de 100 kms. O impressionante é que os proprietários não expressavam nenhuma admiração ao ver outra scooter clássica. Era muito comum encontrá-las por lá. Como dizemos no Brasil, era "carne de vaca".



Meu dinheiro chegava ao fim. Eu tinha 660 Pesos Uruguayos (o equivalente a 60 Reais), mais um litro de óleo 2 Tempos estocado, e com eles deveria cruzar todo o país de sul a norte. O lado bom? No Uruguai moto não paga pedágio. Hora despencava as águas do céu, hora batia o vendaval do mar. Firme com um touro a minha Vespa assentou o Rinaldi no chão e foi em frente. Ela é quem manda! Na cidade de Atlântida completei o tanque, e foi-se ali 200 Pesos cravados. A estrada era boa, pista dupla e de movimento baixo. Pra ser sincero não me lembro de caminhões na pista, pelo menos nas províncias de Montevideo e de Punta del Este não. E passado 150 kms de rodagem eu entrava na bela Punta Del Este. A cidade é um projeto turístico moderno e preparado para receber pessoas do mundo todo. Enquanto eu procurava uma cafeteria ou um bar com Wi-fi notei que alguns uruguaios ali falavam o português e o inglês. Por 60 Pesos pude tomar um café pequeno e acessar a rede local com vista para os iates e barcos na orla. Passado uma hora dei a partida e segui pela estreita Ruta 39, que me levaria de volta para a Ruta 9, a Interbalneárea. Era quase 19h e o sol não havia dado as caras. Eu que sonhava (desde o começo da viagem) em tomar um banho de mar no Uruguai, a aqui clássica caiu como uma chuva: "the dream is over". Então passei pela cidadela de San Carlos, aonde abasteci (com cerca de 200 Pesos) e confirmei algumas informações sobre a rota. O vento batia por todos os lados, e a sensação era de estar naufragando no meio do mar.

Punta Del Este (Uruguay)

Anoiteceu quando cheguei à cidade de Rocha, aonde completei o tanque com quase tudo o que eu tinha. Pouco me restava dali pra frente, e a missão final era chegar em território nacional com um tanque e 70 Pesos para emergência, ou seja 7 Reais. No Brasil eu teria como sacar dinheiro em minha conta nacional no Santander. Restavam 140 kms até o Chuí. Então baixei o ritmo para 75km/h e no breu da noite a luz no fim do túnel eram só a dos vagalumes. Na metade do caminho parei no acostamento para esfriar o motorino e tentar ouvir o mar ao longe, pois não se via mais nada. As placas anunciavam o Brasil cada vez mais perto, e foi aí que meu ponteiro chegou ao vermelho. Apreensivo, baixei o ritmo para os 60km/h, afim de economizar meus últimos 2 litros. Fui informado que havia um posto no caminho, mas já passava das 23h e nada garantiria que estaria aberto. Finalmente eu chegava na Duana Uruguaia. Parei minha Vespa e atravessei a pista com os documentos em mãos. Adeus Uruguai, até o ano que vem! Adiante, na fronteira saquei uma foto que naquele momento me divertia: a minha Vespa pisando em dois países ao mesmo tempo.

Fronteira Uruguay x Brasil

BRASIL

E finalmente eu estava no Brasil! O tanque entrava na reserva e meu estômago também. Esperava ansioso chegar ao centro da cidade de Chuí, pois os dois postos de combustíveis que encontrei no caminho estavam fechados. No pequenino município brasileiro encontrei um aberto. Queimei ali meus últimos Pesos Uruguayos e assim a Vespa saiu da seca. Procurei por um Caixa Eletrônico e um hotel que aceitasse o pagamento em cartão de débito. Ambos aceitavam, porém com cartão uruguaio ou internacional. Chuí, apesar de ser um município brasileiro, a economia da cidade gira mesmo em torno dos dólares e Pesos Uruguaios. A recomendação então foi seguir 25kms adiante, para a pequena cidade de Santa Vitória do Palmar. No caminho tomei um susto de gelar a espinha. Um gambá cruzou a pista na minha frente, e era dos grandes. Num golpe de reflexo acelerei e inclinei minha Vespa em direção ao acostamento, e por muito pouco escapei do golpe. Certamente iríamos todos ao chão. O sinal era decisivo, fosse o que fosse eu deveria parar. Baixei o ritmo para os 60km/h e assim entrei em Santa Vitória do Palmar. Encostei no Hotel Turismo e a atendente me deixou à par de tudo: “será difícil encontrar nessa cidade um estabelecimento que aceite o pagamento em cartão, ainda mais nesse horário”. Mas me indicou um Caixa Eletrônico que certamente estaria aberto. Saí em disparada à caça do Caixa, e ao chegar vi as luzes semi-acesas. Ali naquela rua escura desliguei a Vespa e entrei no banco. Para o meu desespero os caixas estavam desligados, e o alarme do banco disparou. E agora? Tentei sair, mas a porta havia sido travada comigo dentro. Só me faltava essa, chegar ao Brasil e ser suspeito de uma tentativa de roubo à banco... kkkkk. Insisti apertando simultaneamente o botão da porta, foi um minuto de aflição até que ela destravou. Saí de lá atordoado. Should I Stay or Should I Go... Liguei a Vespa e voltei pro Hotel, aonde expliquei meu caso e combinei que pagaria a pernoite na manhã seguinte, hoje. Deixei minha bagagem no quarto 25 e com muita fome segui à procura de qualquer bar, padaria ou bodega que aceitasse pagamento em cartão. Depois de entrar e sair de uma dúzia de estabelecimentos uma moça me indicou uma vendinha 24 horas. A fome era de matar e aquela seria a minha última chance de comer alguma coisa paga com o meu dinheiro. A vendinha ficava numa rua barrenta, no fim do perímetro urbano, próximo dos estábulos, e atendia com portas fechadas. Mas atendia de madrugada. Comprei o que achei de mais nutritivo: Iogurte e biscoitos. Voltei ao hotel, pendurei as roupas úmidas, comi e dormi muito bem. Às 8h15 acordei para ver a final do Mundial de Futebol. Meu time perdeu feio. Finalmente consegui sacar dinheiro, paguei a pernoite e um bom prato, completei o tanque e agora, debaixo de chuva, sigo para a capital gaúcha: Porto Alegre. Barbaridade!!!

sábado, 17 de dezembro de 2011

ETAPA 6: Da Argentina ao Uruguay

Nesse momento estou em Punta del Este (na costa uruguaia), é final de tarde e escrevo ligeiro para retomar logo a minha rota, pois vem chuva daqui a pouco. Não posso ficar nem mais um minuto com você, pois não tenho dinheiro algum, nenhum Peso, nenhuma medida! E para não perdermos o fio condutor dessa história contarei abaixo o que vivi nesses últimos dois dias...


Adios Amigos! Fim de tarde no Puerto Madero (Buenos Aires - ARG)

ADIOS AMIGOS - Quinta-feira, dia 15 de dezembro de 2011: segundo muitos argentinos esse não seria um dia peronista. Minhas últimas horas em solo hermano foram mesmo tristes, porque eu havia sido feliz por lá. Pilotando, representei o nosso grupo, a Scooteria Paulista, nesse grande encontro sul-americano do estilo. Havia conhecido finalmente os scooteristas hermanos, pessoas que eu mantinha contato pela internet há alguns anos, personagens do universo scooter sulamericano. E agora que a minha missão já estava cumprida eu voltava à realidade: "o sonho acabou". Passei o fim de tarde encanado e sozinho com minha Vespa, e pensava: puta que pariu, não quero ir embora!! Foram doze horas de espera no Puerto Madero até chegar o titânico. Aprovei o tempo livre entre uma chuva e outra para conhecer melhor a região. Visitei uma oficina de navios, também a Casa Rosada, o prédio da Secretaria de Comunicaciones, e os antigos galpões que beiram o rio (muitos deles transformados em restaurantes e comércios para turistas). Mais ao leste a represa secava no meio da vegetação alta, e apesar de belas estátuas, muros e construções de época, essa área hoje aproxima o povo da elite, entre dezenas de quioscos, caminhões estacionados e uma pequena favela que ali remodela o cenário que outrora fora parte da Belle Epoqué portenha. Andei por ali, até ver o último sol argentino se pôr.

"I'm gonna wait 'til the midnight hour 
When there's no one else around"


No estacionamento da Estação, enquanto aguardava o barco da meia noite saquei as ferramentas do baú da Vespa e realizei os reparos necessários. Conferi todos os parafusos e porcas e troquei as lâmpadas queimadas: farol médio, luz de freio e lanterna. Então na hora marcada tomei o Buquebus, o barco-travessia que me levaria para Colonia del Sacramento, uma encantadora cidade turística do Uruguai.

COLONIA DEL SACRAMENTO




O barco era maravilhoso, dividido em vários ambientes: um mini-navio. Havia um modesto luxo ali, e um glamour notável nas pessoas que andavam entre a sala de jogos e os caça-níqueis. Notei que fui notado. Ali um grupo de motociclistas argentinos viera puxar um papo comigo, interessados na minha viagem solitária em Vespa. Trocamos uma prosa de dez minutos. O cansaço batia no meio daquelas poltronas macias, e ali dormi, olhando para o último fio da lua minguante que refletia sobre o Rio de La Plata. Foi um sono curto, mas suficiente para recobrar a concentração da viagem. Cheguei às 4h no país vizinho e por isso não pude desfrutar das belezas turísticas da cidadela, nem mesmo visitar o Osmir (participante do Dia Del Scooter Clásico #3) em Tarariras, conforme havíamos combinado. Abasteci no primeiro posto que encontrei, tomei um café expresso e segui ligeiro na Ruta 1, rodovia que me levaria direto para Montevideo, a capital. Pista livre noite afora. Poucos carros e raros caminhões encontrei pelo caminho, todavia tive outra prova de fogo, ou de água: chovia e ventava demais. 

Ali me mantive na média dos 75km/h ou menos. Sentia o cheiro do mar na água que escorria pela viseira do meu capacete, como se a chuva fosse a ressaca das ondas que voavam por sobre a terra ao redor da estrada. De tanta chuva quase que não amanhecia. Alguma luz atrás do chumbo das nuvens ameaçava dar bom dia, e em meio às águas notei uma scooter Bajaj Classic, num vermelho impecável, no estacionamento de um dos postos da Patrulla de Caminos (polícia rodoviária). Mais tarde eu veria várias delas pela capital federal. Aliás, é impressionante a quantidade de Bajaj's e Vespas PX circulando no Uruguai. Basta pôr a cara na rua para vê-las. Há inclusive alguns postos de combustível que oferece, na bomba, a gasolina misturada com o óleo 2 Tempos. Definitivamente, um país scooterista!

MONTEVIDEO

Foram 180 quilômetros de giro alto até a capital uruguaia, aonde cheguei por volta das 8h da manhã. A cidade de Montevideo é um cenário à moda antiga. Do porto até o centro é notável o senso de civismo e organização desse povo. As ruas são limpas e silenciosas, e além da elegância nas roupas e no andar das pessoas, nas ruas somos surpreendidos a todo momento por veículos antigos de uso diário daquela gente: Ford Falcon, DKW, Renault 4, Impala e mais um monte de relíquias do tempo. Os simpáticos Fiat 600 invadiram o país em outros tempos, e são lá como são os Fuscas no Brasil. Entenda que Montevideo é uma cidade grande e moderna, mas ainda retem seu charme e sua herança cultural espanhola. A arquitetura clássica (ou neo-clássica) é predominante, junto a elementos da Arte Déco, ou Nouveau nos edifícios. As ruas são espaçadas e o motorista médio não tem pressa, o que para um paulistano como eu, acostumado com a multidão apressada nas ruas todos os dias, guiar minha Vespa por lá foi um imenso prazer. 


Hotel Uruguay, na Rua Uruguay, na capital do Uruguay
Na região do centro antigo entrei e saí de uma dúzia de hotéis até encontrar o mais perfeito deles: o mais barato. Foi na Rua Uruguay que encontrei o Hotel Uruguay. Sentia nas coincidências que a sorte andava comigo. Era mais do que eu precisava: preço baixo, wi-fi, estacionamento perto (pra guardar a Vespa), café da manhã, e um pouco da história local, pois aquele era um hotél de 120 anos de idade. Tremendo de frio entrei no quarto 13 às 9h da manhã, tomei um bom banho, pendurei as roupas molhadas e dormi um santo sono. Me sentia cansado e desnutrido, e num princípio de gripe.


Acordei as 14h e sob o céu nublado sai à procura de um "prato feito". Andando a pé pela Av. 18 de Julio um jovem me abordou - ele parecia ter me seguido. Seu nome era Pavlo, e queria saber quem era eu naqueles trajes: costeletas Moonstomp, boina, jeans Levi's, D&M no pé e camiseta grená de um tal de Juventus...rs. 
Palacio Legislativo do Uruguay
Pavlo é skinhead tradicional, apreciador de música negra (rocksteady e soul), cerveja e scooters clássicas. Em um minuto de conversa nos entendemos. Ele ficou surpreso com a minha história, e queria conhecer minha Vespa. Pois não. Descemos então até a Rua Uruguay para apresentar-lhe a guerreira. Ele a elogiou como ninguém, e entendeu de imediato as cores da RAF (Royal Air Force) lateral: preta, branca e vermelha. Disse: "heeeey... las colores de San Pablo". Estava familiarizado com a cena musical paulista (pois no Uruguay ele é um dos pontas-de-lança do estilo) e com um pouco da nossa história. Imediatamente telefonou para alguns amigos convocando-lhes para uma recepção especial à minha pessoa em sua humilde residência. Deixou-me seu endereço num papel e nos despedimos com um imenso apreço recíproco. Voltei para o hotel e aproveitei o fim de tarde para atualizar informações na internet e conversar com as funcionárias de lá. Me surpreendi mesmo foi com as rádios do país. Muitas delas tocavam o pior da moda brasileira atual. Não vale a pena relembrar.


LOS AVISPETTAS SCOOTER CLUB

Avispettas, uma Vespa 90' e o disco do Ira!
Scooter Boy, Scooter Girl - Às 21h30 cheguei na casa de Pavlo, aonde fui recebido por ele, sua esposa Marina, seu filho León, e o amigo Federico na estica inglesa: DM's., B.Shermann, Harrington, Levi's e cabeça brilhando na zero. Essas pessoas organizam diversas atividades culturais na cidade e são os principais DJ's de ska e rocksteady music do país, assinando com a alcunha de Dinamita Soundsystem. Também confeccionam camisetas, stencils e bottons do estilo. E para não dizer que não falei das flores, ali estavam as máquinas do tempo: Federico com sua Vespa 150 (1962), Marina com sua Lambretta DL (De Luxe, 1969) e Pavyo com uma Vespa Sprint (1975), além de uma raríssima Vespa 90 (1963) com motor travado no mezanino da sala. 


Conversamos horas a fio sobre música, futebol e scooters, regado à canecas de cerveja Zillertal na sala-pub de sua casa. Sabiam muito da  "música de rua" paulista: Ira, Garotos Podres, Cólera, Olho Seco etc. Pavlo me explicou que nada nesse nível existiu no Uruguai, e por isso tinham-nos como uma referência sulamericana. Inacreditável foi quando ele sacou de uma de suas caixas de discos um vinil do conjunto paulistano Ira! Era o clássico Vivendo e Não Aprendendo, de 1986. Ouvimos duas vezes cada lado, Pavlo e eu entonando como hino os refrões de Envelheço na Cidade e Pobre Paulista. Além do conceituado Dinamita Soundsystem, eles são uma banda de Early Reggae chamada Los Dínamos, e um scooter clube batizado de Los Avispettas. Marina e Pavlo se conheceram no rolê roqueiro, ela com visual Anarco-Punk, e ele já pros lados do estilo Skinhead. A partir disso veio a paixão e vieram as motonetas. Marina me contou  também que seu pai foi um dos fundadores do primeiro Vespa Club uruguaio, no final dos anos 50. Pela madrugada chegou mais dois amigos da turma, tímidos ou contidos, porém não menos cervejeiros. A conversa rendeu noite adentro, e minha vontade era passar o fim de semana com aquelas pessoas, mas meu prazo não permitia, pois preciso estar em São Paulo no dia 21 de dezembro - minha recepção preparada pelos amigos da Scooteria. Embriagado voltei pro hotel, vislumbrado com aquele momento mágico e imprevisível que vivi.

Pavlo, Marina/León, Federico e Fidelis no subúrbio de Montevideo