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quinta-feira, 8 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Ida (Etapa 3 - A Chegada)

Em oito motonetas partimos de Curitiba para enfrentar cerca de 10 ou mais kms de um inesperado engarrafamento. Assim como em São Paulo, o curitibano (e região) fugia para as estradas rumo ao litoral. Procurávamos por todo espaço possível ao redor dos carros, e passávamos por todos os lados na média dos 30km/h. A lentidão tornava esse princípio de terceira etapa preocupante. Tínhamos 200 kms pela frente. Todavia já em Fazenda Rio grande a estrada não era das mais movimentadas, longe disso inclusive. Pelo caminho soubemos que a Adriana (a garota do Tatu) pegou a rota da BR101 com a pick-up que nos serviria de apoio. Decidiu então seguir direto pela BR101, e nós pela BR280 até Blumenau. O Tatu estava na mão com seu lambretão. E foi pro racha assim. Será que a Lambretta aguenta? Eu e alguns de nós nos perguntamos. De fato essa foi a grande viagem de todos.


E seguindo a sugestão e liderança do Ito, chegamos então em Fazenda Rio Grande, aonde enfim reencontrei meus heróis da viagem In Vespa Fidelis, rumo ao Dia Del Scooter Clásico, Buenos Aires: a Naza Moto Peças. E fechava nesse carnaval o ciclo de patrocínios que (eu Fidelis) tive nesse scooterismo sem fronteiras de três meses, da viagem pessoal pra Argentina/Uruguai em dezembro, e agora com a frota paulista ao Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012: a Fee Willy Moto Peças (com a nova revisão no motor da minha Vespa, troca de peças etc na metade de fevereiro 2012), o site Moto Esporte, o Daré Lambrettas Locações e a M.Brasil Multimarcas. A jaqueta agora vai pro memorial.

Na Naza Moto Peças (Fazenda Rio Grande - PR)

Posto 21 - Regis Bittencourt

Tatu na pista
Notei de longe o mecânico Felipe e parei a meio metro dele numa longa cantada de pneu, seguida do som da borracha do Curita. E a turma foi encostando ali. A oficina mudou de cara, o espaço de trabalho está maior, em detrimento à loja, e o Fernando estava lá no empenho com uma CG ou qualquer coisa do tipo. A visita foi rápida e em tom de gratificação. Os amigos do comboio que na ocasião (dezembro 2011) torceram pela minha viagem descobriam ao vivo quem eram os heróis do foguete da Naza. Depois da despedida cruzamos a BR116 para abastecimento e um lanche no Posto 21. Antes disso, a ansiedade de alguns que sairam em disparada na frente fez confundir o o grupo todo. Dado que foi rapidamente corrigido com os primeiro quilômetros de pista livre na sequência. E o time se entrosou.



No Posto 21 nos demoramos por cerca de 40 minutos. O lanche se estendeu muito devido ao cansaço dos 500 kms (médios) percorridos até ali pelos paulistas. O blues do Aurélio comia solto. Partimos então para a rota mais secreta do mundo, um achado asfaltado da rota da madeira que nos levaria até Blumenau. Na região de Areia Branca dos Assis (PR) tomamos a estrada à esquerda e dali em diante faríamos uma rota sem igual, passando pelos vilarejos mais simpáticos da divisa de Estados sulistas. Ito, obrigado! O sol dava uma trégua no tempero e a vegetação inspiravava-nos ao melhor dos sentimentos. A Lambretta do Tatu, que a princípio mantinha a média dos 70km/h, começou a subir de ritmo aos poucos. O Flavio mantinha o olho no espelho ou a moto na retaguarda, preocupado com o conterrâneo campinense, o Animal e eu fazíamos o vácuo pro lambretão nas subidas, e o Ito com o Uitamar em dados momentos disparavam na frente a perder de vista. Mais tarde cada um meio que fez o mesmo. E enquanto o Tatu comia a fumaça do escape das Vespas PX nas subidas, o lambretão ganhava força. Debruçado no guidão e com as costas ao vento, aquelas eram cenas do mais puro scooterismo rodoviário. Trabalho em equipe, espírito de grupo, seja lá o que for, a união e o pertencimento sincero é contado pelas obras das pessoas.
 

Por onde passávamos a população parava para ver a frota barulhenta de motonetas. Até os cavalos e vacas reagiam. Vi uma vaca correr desengonçada para dentro do brejo, e cavalos erguendo a crina para enxergar melhor. Éramos a novidade relâmpago no pedaço, e naquela calmaria, 8 motorinos de 2 Tempos já faziam o efeito de um avião dando rasante no centro de uma grande cidade. Já escrevi por diversas outras vezes: VOCÊ PRECISA FAZER ISSO, estar na estrada num local definitivamente pacato, e assim começará a entender o efeito que uma Vespa ou uma Lambretta causa nos nativos. Com uma Harley ou qualquer outro veículo é diferente. Foi assim em Agudos do Sul e em Piên (PR), e o mesmo no lado catarinense, em São Bento do Sul (SC), quando fizemos a parada de abastecimento. No fim de tarde em Corupá, no belo pôr-do-sol que se demorava no horizonte, tomamos um atalho por ruas de terra e pedra de 1 km de volta até a BR280, aonde teríamos ainda um pouco mais de luz natural naquela paisagem sem igual. E a cada cidadela que passávamos nos sentíamos os invasores destoando na calmaria local com um buzinasso diferente. Modo de falar, de fato as pessoas curtiam, e festejavam a nossa passagem. Também tínhamos um carro conosco, da turma dos paranaenses, a Denise Wagner e seu marido, fazendo fotos e completamente envolvidos pela paixão em 2 Tempos. Aquela serra puxava as motonetas para as curvas como que para um portal. Éramos conduzidos dentro de uma outra atmosfera, aonde não havia atrito e o único vento que batia, batia nas costas. Chegamos a noite em Jaraguá do Sul, por volta das 20h15. Abastecemos e colhemos mais informações. O Flávio, o Ito, Uitamar, Aurélio, se revezavam no abastecimento da minha Originale 150. A princípio me sentia mal por não ter um puto furado para segurar minha bronca, mas me pegava relembrando de quando estava do outro lado da situação, completando o tanque ou pagando a conta de amigos na má fase. Seguimos então para Pomerode (SC), e de lá até Blumenau o tempo alçou vôo. Na média mínima dos 80km/h tomamos a reta para nós, em sete Vespas e uma Lambretta 1964. E finalmente, às 22h20 chegávamos na Vila Germânica, aonde a frota do Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012 fazia a sua janta à moda tradicional. Exaustos e gratificados, mais uma vez fica provado que a união, quando é verdadeira e recíproca, faz conspirar tudo à favor do grupo. A caixa de peças reservas (da Free Willy) ficou intocada, e não precisamos de nada além de gasolina e óleo 2 Tempos para chegar. Ao chegarmos alguns entraram para o jantar, outros ficaram do lado de fora por falta de grana. De fato o Animal Taylor e eu , Fidelis, estávamos sem dinheiro, viajamos com a reserva da reserva. O Aurélio Martimbianco, sabendo da minha condição, dias antes reservou um quarto de hotel com duas camas, uma para mim. E lá naquela noite, em solidariedade ao Animal (que estava há minutos de armar sua barraca e acampar em frente à Vila Germânica) mudou-nos para um quarto com três camas, e acertou a conta toda, num gesto de amizade e entendimento. Isso não tem preço, ou tem pra três dígitos três vezes maior no seu cartão. Cara, obrigado, muito obrigado! 


Na estrada as representações juntas: Scooteria Paulista, Motonetas Clássicas Campinas e Vesparaná Clube. O Galvão Bueno não saberia narrar essa emoção. O Ito sim, porque narrar também deveria ser a arte de viver o fato, do contrário é mais a ficção de quem conta do que a realidade de quem vive. Então abaixo segue o seu relato em vida do Mr "8": 

Por rotas de pedra e terra em Corupá (SC)

"Derretendo no sol a pique, mas com uma ansiedade do tamanho de elefante... Chegaram!!! Uitamar com sua reluzente Vespa neon, Marcio Fidelis com sua Vespa militar, Flavio Barbie com sua Vespa Fiat Piaggio , Aurélio DJ com sua Vespa musical e claro a do Animal com sua La Mimosa!. Não me esqueci do Tatu e sua valente Lambretta LI azul calcinha e sua esposa na Pick-up L200. A caminho....

Com uma parada de 10 minutos, mas significantes, na NAZA – oficina para motos em fazenda do Rio Grande (PR), em reconhecimento à pessoas realmente boas em ajudar a quem precisa. Ao abastecer as Vespas e as barrigas dos paulistas, sem desculpas partimos para Piên. Estrada magnifica e calma, sem muito movimento e com paisagens de tirar o fôlego. Cada curva um cenário diferente, tanto que perdemos a divisa dos Estados para a famosa foto de prova cumprida.

Em São Bento do Sul éramos miragens num cenário europeu, as crianças e os idosos não acreditavam no que estavam assistindo, uma carreata de motonetas fumacentas cruzando a cidade, motivo de risadas e admiração, e por que não, uma pintinha de inveja! Abastecidos e a caminho de Jaraguá do Sul, outro cenário de chácaras e fazendas com um contraste de verde dos campos com o azul do céu e uma estrada cheia de curvas e iluminadas pela luz do pôr-do-sol.

Chegando a Jaraguá do Sul ao anoitecer, no posto de abastecimento demos as últimas checada do trajeto, e seguimos direto para Pomerode no meio da festa da cidade, aonde outra vez chamamos a atenção dos transeuntes com nossas audaciosas Vespas. Chegada em Blumenau, fim de viagem, com a cabeça lavada de suor e de conquista, e o pouco que andei de Curitiba a Blumenau com os paulistas, devo reconhecer os caras são raçudos pacas!!!" (Ito "8 - Vesparaná Clube, da viagem "Curitiba x Blumenau, em 18 de fevereiro de 2012).


video

4 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Fotos 1, 2 e 3 de Animal Taylor.
Fotos 4, 6 e 9 de Aurélio Martimbianco.
Foto 5 de Marcio Fidelis
Fotos 7, 8,10 e 11 de Denise Wagner.
Vídeo de Animal Taylor.

Anônimo disse...

q escrito fantastico, eh inspirador e me faz sentir dentro do grupo de vocês. parabens vespeiros!

Amadeu dos Santos (Pinda)

Animal Taylor disse...

VOCÊS PRECISAM FAZER ISSO! Sério!

Só assim entenderiam como é 'viver tudo isso novamente' apenas por ler este texto, e ver estas fotos.

\o/

Anônimo disse...

Gostei do novo estilo do site.

PJ