Em oito motonetas partimos de Curitiba para enfrentar cerca de 10 ou mais kms de um inesperado engarrafamento. Assim como em São Paulo, o curitibano (e região) fugia para as estradas rumo ao litoral. Procurávamos por todo espaço possível ao redor dos carros, e passávamos por todos os lados na média dos 30km/h. A lentidão tornava esse princípio de terceira etapa preocupante. Tínhamos 200 kms pela frente. Todavia já em Fazenda Rio grande a estrada não era das mais movimentadas, longe disso inclusive. Pelo caminho soubemos que a Adriana (a garota do Tatu) pegou a rota da BR101 com a pick-up que nos serviria de apoio. Decidiu então seguir direto pela BR101, e nós pela BR280 até Blumenau. O Tatu estava na mão com seu lambretão. E foi pro racha assim. Será que a Lambretta aguenta? Eu e alguns de nós nos perguntamos. De fato essa foi a grande viagem de todos.
E seguindo a sugestão e liderança do Ito, chegamos então em Fazenda Rio Grande, aonde enfim reencontrei meus heróis da viagem In Vespa Fidelis, rumo ao Dia Del Scooter Clásico, Buenos Aires: a Naza Moto Peças. E fechava nesse carnaval o ciclo de patrocínios que (eu Fidelis) tive nesse scooterismo sem fronteiras de três meses, da viagem pessoal pra Argentina/Uruguai em dezembro, e agora com a frota paulista ao Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012: a Fee Willy Moto Peças (com a nova revisão no motor da minha Vespa, troca de peças etc na metade de fevereiro 2012), o site Moto Esporte, o Daré Lambrettas Locações e a M.Brasil Multimarcas. A jaqueta agora vai pro memorial.
| Na Naza Moto Peças (Fazenda Rio Grande - PR) |
| Tatu na pista |
No Posto 21 nos demoramos por cerca de 40 minutos. O lanche se estendeu muito devido ao cansaço dos 500 kms (médios) percorridos até ali pelos paulistas. O blues do Aurélio comia solto. Partimos então para a rota mais secreta do mundo, um achado asfaltado da rota da madeira que nos levaria até Blumenau. Na região de Areia Branca dos Assis (PR) tomamos a estrada à esquerda e dali em diante faríamos uma rota sem igual, passando pelos vilarejos mais simpáticos da divisa de Estados sulistas. Ito, obrigado! O sol dava uma trégua no tempero e a vegetação inspiravava-nos ao melhor dos sentimentos. A Lambretta do Tatu, que a princípio mantinha a média dos 70km/h, começou a subir de ritmo aos poucos. O Flavio mantinha o olho no espelho ou a moto na retaguarda, preocupado com o conterrâneo campinense, o Animal e eu fazíamos o vácuo pro lambretão nas subidas, e o Ito com o Uitamar em dados momentos disparavam na frente a perder de vista. Mais tarde cada um meio que fez o mesmo. E enquanto o Tatu comia a fumaça do escape das Vespas PX nas subidas, o lambretão ganhava força. Debruçado no guidão e com as costas ao vento, aquelas eram cenas do mais puro scooterismo rodoviário. Trabalho em equipe, espírito de grupo, seja lá o que for, a união e o pertencimento sincero é contado pelas obras das pessoas.Por onde passávamos a população parava para ver a frota barulhenta de motonetas. Até os cavalos e vacas reagiam. Vi uma vaca correr desengonçada para dentro do brejo, e cavalos erguendo a crina para enxergar melhor. Éramos a novidade relâmpago no pedaço, e naquela calmaria, 8 motorinos de 2 Tempos já faziam o efeito de um avião dando rasante no centro de uma grande cidade. Já escrevi por diversas outras vezes: VOCÊ PRECISA FAZER ISSO, estar na estrada num local definitivamente pacato, e assim começará a entender o efeito que uma Vespa ou uma Lambretta causa nos nativos. Com uma Harley ou qualquer outro veículo é diferente. Foi assim em Agudos do Sul e em Piên (PR), e o mesmo no lado catarinense, em São Bento do Sul (SC), quando fizemos a parada de abastecimento. No fim de tarde em Corupá, no belo pôr-do-sol que se demorava no horizonte, tomamos um atalho por ruas de terra e pedra de 1 km de volta até a BR280, aonde teríamos ainda um pouco mais de luz natural naquela paisagem sem igual. E a cada cidadela que passávamos nos sentíamos os invasores destoando na calmaria local com um buzinasso diferente. Modo de falar, de fato as pessoas curtiam, e festejavam a nossa passagem. Também tínhamos um carro conosco, da turma dos paranaenses, a Denise Wagner e seu marido, fazendo fotos e completamente envolvidos pela paixão em 2 Tempos. Aquela serra puxava as motonetas para as curvas como que para um portal. Éramos conduzidos dentro de uma outra atmosfera, aonde não havia atrito e o único vento que batia, batia nas costas. Chegamos a noite em Jaraguá do Sul, por volta das 20h15. Abastecemos e colhemos mais informações. O Flávio, o Ito, Uitamar, Aurélio, se revezavam no abastecimento da minha Originale 150. A princípio me sentia mal por não ter um puto furado para segurar minha bronca, mas me pegava relembrando de quando estava do outro lado da situação, completando o tanque ou pagando a conta de amigos na má fase. Seguimos então para Pomerode (SC), e de lá até Blumenau o tempo alçou vôo. Na média mínima dos 80km/h tomamos a reta para nós, em sete Vespas e uma Lambretta 1964. E finalmente, às 22h20 chegávamos na Vila Germânica, aonde a frota do Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012 fazia a sua janta à moda tradicional. Exaustos e gratificados, mais uma vez fica provado que a união, quando é verdadeira e recíproca, faz conspirar tudo à favor do grupo. A caixa de peças reservas (da Free Willy) ficou intocada, e não precisamos de nada além de gasolina e óleo 2 Tempos para chegar. Ao chegarmos alguns entraram para o jantar, outros ficaram do lado de fora por falta de grana. De fato o Animal Taylor e eu , Fidelis, estávamos sem dinheiro, viajamos com a reserva da reserva. O Aurélio Martimbianco, sabendo da minha condição, dias antes reservou um quarto de hotel com duas camas, uma para mim. E lá naquela noite, em solidariedade ao Animal (que estava há minutos de armar sua barraca e acampar em frente à Vila Germânica) mudou-nos para um quarto com três camas, e acertou a conta toda, num gesto de amizade e entendimento. Isso não tem preço, ou tem pra três dígitos três vezes maior no seu cartão. Cara, obrigado, muito obrigado!
Na estrada as representações juntas: Scooteria Paulista, Motonetas Clássicas Campinas e Vesparaná Clube. O Galvão Bueno não saberia narrar essa emoção. O Ito sim, porque narrar também deveria ser a arte de viver o fato, do contrário é mais a ficção de quem conta do que a realidade de quem vive. Então abaixo segue o seu relato em vida do Mr "8":
"Derretendo no sol a pique, mas com uma ansiedade do tamanho de elefante... Chegaram!!! Uitamar com sua reluzente Vespa neon, Marcio Fidelis com sua Vespa militar, Flavio Barbie com sua Vespa Fiat Piaggio , Aurélio DJ com sua Vespa musical e claro a do Animal com sua La Mimosa!. Não me esqueci do Tatu e sua valente Lambretta LI azul calcinha e sua esposa na Pick-up L200. A caminho....
Com uma parada de 10 minutos, mas significantes, na NAZA – oficina para motos em fazenda do Rio Grande (PR), em reconhecimento à pessoas realmente boas em ajudar a quem precisa. Ao abastecer as Vespas e as barrigas dos paulistas, sem desculpas partimos para Piên. Estrada magnifica e calma, sem muito movimento e com paisagens de tirar o fôlego. Cada curva um cenário diferente, tanto que perdemos a divisa dos Estados para a famosa foto de prova cumprida.
Em São Bento do Sul éramos miragens num cenário europeu, as crianças e os idosos não acreditavam no que estavam assistindo, uma carreata de motonetas fumacentas cruzando a cidade, motivo de risadas e admiração, e por que não, uma pintinha de inveja! Abastecidos e a caminho de Jaraguá do Sul, outro cenário de chácaras e fazendas com um contraste de verde dos campos com o azul do céu e uma estrada cheia de curvas e iluminadas pela luz do pôr-do-sol.
Chegando a Jaraguá do Sul ao anoitecer, no posto de abastecimento demos as últimas checada do trajeto, e seguimos direto para Pomerode no meio da festa da cidade, aonde outra vez chamamos a atenção dos transeuntes com nossas audaciosas Vespas. Chegada em Blumenau, fim de viagem, com a cabeça lavada de suor e de conquista, e o pouco que andei de Curitiba a Blumenau com os paulistas, devo reconhecer os caras são raçudos pacas!!!" (Ito "8 - Vesparaná Clube, da viagem "Curitiba x Blumenau, em 18 de fevereiro de 2012).




4 comentários:
Fotos 1, 2 e 3 de Animal Taylor.
Fotos 4, 6 e 9 de Aurélio Martimbianco.
Foto 5 de Marcio Fidelis
Fotos 7, 8,10 e 11 de Denise Wagner.
Vídeo de Animal Taylor.
q escrito fantastico, eh inspirador e me faz sentir dentro do grupo de vocês. parabens vespeiros!
Amadeu dos Santos (Pinda)
VOCÊS PRECISAM FAZER ISSO! Sério!
Só assim entenderiam como é 'viver tudo isso novamente' apenas por ler este texto, e ver estas fotos.
\o/
Gostei do novo estilo do site.
PJ
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