sábado, 17 de novembro de 2012

III Raduno da Primavera - Da Volta e Mais Relatos

O III Raduno da Primavera reuniu 37 scooters clássicas e mais ou menos cinquenta pessoas em prol do acontecimento. E lá no topo do Morro da Asa Delta, na miolo entre São Vicente e Santos, os scooteristas rodantes da cidades de Santos, São Vicente, São Paulo, Campinas, São Roque, Jundiaí, Taboão da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá. Chamamos isso de encontro de estradas.


Por Marcio Fidelis

Chegamos lá ao meio dia e alguma coisa no ponto combinado: o Restaurante Ao Mirante. Às 14h30 finalmente Gustavo Delacorte trazia o Daniel Turiani, Gisele, Sr.Albertini, o rebocador e família. Um pouco depois o Sergio Pasqualini - sua estréia no Raduno, na camisa do Clube da Lambretta de Jundiaí, e o Ricardo anunciaram partida. Precisavam chegar antes de escurecer, e evitando a prevista chuva do final de tarde, pois levariam uma Lambretta Standard no seu motor de 1957 até Jundiaí. Com eles partiu uma pequena leva de volta pra estrada. Vinte minutos depois outro grupo de quatro ou cinco Vespas tomou o rumo ao norte. E às 16h a última leva, a maior parte, que havia ficado até o final do almoço dos amigos socorristas e socorridos, foram, ou fomos para as motonetas. Esse sistema modular, conforme definiu o Rafael Assef, é um sistema interessante e já havia sido aplicado em outros giros (na verdade naqueles anuais de Jundiaí). O importante é nunca voltar sozinho. De fato estava marcado para todos retornarem juntos às 15h30, mas ficamos até mais tarde em prol da Staff. Quem quis, quem deveria, partiu mais cedo.

Marcelo Santana e Vini Delante


Na saída o Sonnesso e eu brincamos que desse Raduno até que estamos passando ilesos, com excessão da  quebra da Vespa do Turiani, fato que passava longe do script raduneiro. Maldita hora que eu fui abrir a minha boca. No mesmo minuto o Sr.Albertini ao dar ré na pick-up encostou o para-choque num carro sedam que estava estacionado num local não permitido, ou não apropriado para ele. Três moças saíram do carro e reclamaram até umas horas. O risco feito na porta do carro era de um palmo e meio, e era superficial. Resumindo a história, fizemos um vaquinha coletiva e angariamos a maior parte do dinheiro sugerido pelo funileiro pessoal do proprietário do carro. Pensando bem, o Raduno é o evento das vaquinhas e colaborações em vil metal. No primeiro de 2010 fizemos uma arrecadação dos scooteristas para pagarmos a volta da Vespa do China que havia quebrado no pé da Rodovia dos Imigrantes. No ano passado o grupo se mobilizou pela minha viagem para a Argentina. E dessa vez novamente passamos o chapéu. Coincidência? Ou seria mais um dos mistérios ocultos do Raduno da Primavera...

Gustavo nos guiaria até o pé do Morro, e de lá direto para o Portal de Santos. No caminho, pelo Canal 1 de Santos, meu Rádio Nextel tocou. Era o Raphael Favero perguntando por nós. Havíamos combinado de encontrá-lo e a mais amigos num Ipiranga à direita da orla. Só que nos esquecemos e seguíamos direto para a saída, crendo inconscientemente que os encontraríamos em algum posto por lá. Pedi ao Favero que guiasse a turma até o segundo posto de esquina da Avenida Sen.Pinheiro Machado. Aproveitamos para abastecer e dar uma checada nas motonetas. Então Favero chegou com a turma. Estava irritado e falava da desordem. Nesse caso, vejo mais como desinformação, tudo pôde ser corrigido com bastante simplicidade. No posto seguinte nos encontramos com o Gustavo e cia. Favero reclamava. O Koré e eu conversamos com ele ali até que se acalmasse. Não foi a primeira vez que isso acontece, e talvez não seja a última. Só que uma crise instaurada não seria a melhor das idéias. Tudo é contornável. E nesse domingo do dia 18 vamos conversar a respeito disso tudo em nossa Sede, afim de melhorarmos o procedimento dos deslocamentos dos comboios.

Nos despedimos ali dos amigos de Santos, os cicerones Gustavo, Luca e Eric. Gustavo estava chateado pois queria que ficássemos mais em Santos, para um brinde, um rolê, um papo sem pressa. Infelizmente tínhamos que partir pois estava anunciada a previsão de chuva no final da tarde. E os primeiros amigos que naquele momento já chegavam em São Paulo enviavam mensagens desanimadoras de lá pelo celular. Juntos, quietos e concentrados seguíamos para a saída da cidade. Entramos na Rodovia dos Imigrantes e seguimos tocando na média dos 80km/h. Depois de cinco ou sete kms de giro Favero parou no acostamento. Seu pneu traseiro havia furado. Leo Vasconcelos emprestou o step da sua Vespa pois o amigo já tinha furado o seu mais cedo. Depois foi a minha vez. Antes de partirmos, o cabo do acelerador da minha Originale 150 havia soltado no carburador. Tiramos as partes e Favero o reencaixou. Seguimos então na mesma tocada. No posto de combustível seguinte encontramos a outra parte da turma parada. Tatu limpava a passagem de gasolina da Lambretta, e brincava: "Tá vendo, quer economizar no que não deve, dá nisso!". Disse que havia colocado a gasolina do tanque sujo da velha Xispa nessa Lambra e junto com a gasosa veio a ferrugem. Depois de limpado os giclés, foi só ligar a revanchista e subir a Serra. Bom, não seria lá tão fácil subir uma LI de 1964 e com garupa. Mas a melindrosa é das fortes e foi. Pista acima a frota era formada por cerca de uma dúzia de motonetas ou mais, e também dois carros: a pick-up do Sr.Albertini e o utilitário do Chico e namorada. Ambos ofereceram proteção na retaguarda do nosso comboio, e foi muito importante. Fizeram ali o papel do ferrolho, trancando a porta dos fundos. No ritmo dos 70km/h subimos. Dias depois soubemos de uma reclamação feita por uma motorista qualquer que foi publicamente na Band News FM e na Rádio Sulamerica reclamar de uma atitude do Sr.Albertini, que para proteger o nosso comboio de uma ultrapassagem arriscada que ela faria sobre nós pelo acostamento, fechou a porta duas vezes, impedindo a passagem da reclamante. Imprudente, ela teria arriscado uma ultrapassagem pela direita do comboio, quando a lei, no artigo 199 do Código de Trânsito Brasileiro, diz  que é infração é há penalidade para veículo que "ultrapassar pela direita, salvo quando o veículo da frente estiver colocado na faixa apropriada e der sinal de que vai entrar à esquerda". O assunto foi debate entre alguns scooteristas no Facebook durante a semana. O Sr.Albertini estava conosco para nos proteger. De fato a subida da Serra é tensa em todos os anos, como bem salientou a Rosa Freitag: "também observei assustada vários carros costurando desde a faixa da esquerda até o acostamento para fazer ultrapassagens. A Ecovias não deveria liberar o acostamento, a não ser que o trânsito esteja realmente intenso - nenhuma das pistas estava com tráfego carregado". David Reader também justificou por nós a atitude: "O Codigo De Transito Brasileiro afirma que os veículos maiores são responsáveis pela proteção dos veículos menores, pode consultar. A solução encontrada pelo sr. Allbertini foi entrar na faixa da direita antes que o veículo em questão pudesse por em risco a vida dos pilotos do comboio". (Nesse domingo, amanhã, dia 18 de Novembro, faremos uma pauta sobre isso na Sede da SP, pois sentimos a necessidade de nos protegermos mais. Vivemos um ritmo frenético em cima de nossas motonetas, fazemos mais de 20 giros em comboio por ano, e estamos expostos à situações como essas a cada giro. O que podemos fazer para nos cuidar? É isso! Domingo é só colar na Sede, em São Paulo, das 14h às 18h. Pegue o endereço por email ou fone).

Mario Lebon repassando instruções

Voltando à rota. No Rodoanel nosso amigo David Reader entraria rumo à Regis Bittencourt. De lá seguiria com uma pick-up que o aguardava, para uma longa viagem até o berço do Vesparaná Club: Curitiba. Reginaldo Silva e Rose entrariam juntos rumo à zona norte da cidade. Ambos se borraram um pouco de medo ali pois no Rodoanel não há postos de combustível. A chuva parecia cair sobre a metrópole. Passamos pelo trecho de São Bernardo do Campo, Santo André e Diadema, até que finalmente saíamos da Ecovias direto pra Avenida Ricardo Jaffet. Buzinaço geral e adeus Raduno. Ali os remanescentes do último comboio seguia, cada qual para o seu destino, sob a breve chuva que cairia na sequência. Abaixo reporto ao leitor os pontos de vistas e os relatos de outros raduneiros. Daqui da minha parte, eu agradeço a cada scooterista que fez essa história ser rica e bem vivida. Aos cicerones santistas (Gustavo, Luca, Mario e Eric) parabenizo pela escolha do local e pelo trabalho de guia, esse Raduno superou os outros no aspecto cidade-Sede. E insisto a eles que busquem abraçar mais scooteristas perdidos na baixada, com paciência, respeito e compreensão. Ao Reginaldo e Free Willy agradeço o apoio à minha Vespa, a Internazionale presidente não poderia ficar em casa num dia como esse. Ao Restaurante Ao Mirante, agradeço a recepção, não mais que isso. Ao Serginho Pasqualini agradecemos a força com a M4 do Marcos, e à família Albertini (Motonetas Clássicas Campinas) agradecemos pelo empenho na escolta do grupo, e no reboque da PX estradeira do Turiani e Gisele. Parabéns aos 37 raduneiros dessa história. Até o próximo Raduno.

Por Rosa Freitag:

Ótimas as fotos, e aqui o relato: Gostei muito do destino do Raduno e acho fantástico o espírito de família unida que impera, assim todos podem viajar tranquilos com as motonetas sabendo que não serão deixados pra trás em caso de quebra. Também acho legal combinar diversos pontos de encontro sem parada, pra quem quer se juntar ao longo do trajeto. Foi interessante fazer aquela parada na descida da serra, mesmo tendo sido forçada por uma quebra. Mas as paradas subsequentes por causa de problemas mecânicos acabaram dispersando o grupo. O que eu acho mais legal é ver que estou no meio de um super enxame com 30, 40 Vespas, mas não foi assim a chegada... e com isso chegamos mais tarde que o esperado, e aí com a  previsão de chuva no fim da tarde muitos quiseram sair lá pelas 16h para não arriscar. No fim, nada de chuva, mas aí morreu o espírito do Raduno. Eu tinha achado tão legal pegar a balsa no ano passado, e fazer o percurso diferente na volta... Senti falta de ver outras motonetas em todas as direções, do aroma 2T ao redor, de poder contemplar melhor a paisagem e, por que não, fazer algumas paradas no percurso! Acho que faltou uma "ordem" sua mais enérgica para que todos voltassem no grupo grande, e uma agilizada para sair do restaurante. O Mário me disse que você falou que a volta estava liberada, cada um por si, então fizemos um pequeno grupo para voltar. Você ainda veio conferir se estávamos mesmo indo num grupinho, achei isso muito legal da sua parte! Mas o Mário ficou muito decepcionado por não ter sido realizado o verdadeiro Raduno! Então o meu espírito "motociclista" avisa que é muito importante fazer uma manutenção preventiva frequente na motoneta - acho que isso preveniria a maioria das quebras na estrada. E o espírito "scooterista clássica" está frustrado com a dispersão do grupo na volta. Mas na ida em vários momentos eu tive aquela sensação que me faz estar sempre presente nos passeios!

Por Tatu Albertini:

Bão ,a viagem começou bacana com um pequeno atraso da minha parte pra variar. Fomos eu e Adriana Frias direto para a Bandeirantes encontrar com o pessoal que sairia do ponto de encontro. Chegamos antes deles e lá estavam Flavio Barbie, David S Raeder e Marquinho. Saimos a caminho do posto Bellair no km 56 para encontrar mais um. Pela pista todos de PX200 e eu no lambrão. No meio da estrada chegou o Ricardo Moreira com sua PX200 e seu espirito de piloto de corrida, (sai depois de nóis só pra esticar o cabo e pegar a gente na estrada). Paramos no posto e lá estava Sergio Ricardo Pasqualini com sua Standinha 50 tons de cinza. E de lá tocamos até o ponto de encontro. Chegamos no ponto de encontro exatamente as 9h,e lá já encontramos grandes amigos. Esperamos o nosso presidente e mais alguns amigos chegarem, ouvimos as recomendações e fomos embora em mais um Raduno. No meio do caminho ,encontramos Marcelo Santana e mais alguns até uma M4 que não vi, parece que estava no pedágio. M4 essa que nos ajudou a aumentar nossos conhecimentos mecânicos em bons trechos da estrada. Chegamos no litoral e lá fomos bem recebidos por nossos amigos da baixada. Paramos na praia e fomos até o morro do Voo livre onde pudemos desfrutar de uma bela comida e de uma bela vista. Depois disso, logo às 15 hs varios amigos já começaram a debandar. Acabei depois de dar uma salgada e curtir um pouco do no areião. Saindo de Santos, às 17h20, eu pensava que faríamos uma volta solitária somente com o carro de apoio, mas numa bela surpresa, no Fango Assado da Imigrantes, encontramos vários outros parados esperando mais alguns que estavam ainda perdidos por contra tempos na cidade. Depois da chegada de todos tocamos o pau na subida da Serra e o Lambrão pediu arrego: quase o motor travou, mas subiu em 3° e sem pressa com a Adriana na garupa e Marcio Fidelis com seu motor amaciando junto comigo no martírio da subida. Lá em cima perto de vários destroços de um acidente qualquer os vespistas mais ligeiros estavam esperando por nós. Tocamos direto e sem parada e eles vieram no vácuo. A partir do anel viário vários debandaram cada qual para seu canto e nós continuamos na jornada. Vimos o avião do acidente (que desceu a pista e parou no muro) e fomos mais uma vez agraciados por São Pedro lambreteiro que nos deu a boiada de escapar da chuva que caiu nervosa depois que entramos na pista. Cheguei em casa eram quase 22h, pois parei para fazer uma pesquisa em um lugar na estrada e estou aqui hoje só o pó da rabiola, porém feliz e realizado, pois tirei da garganta a questão da lambretta subir e descer a Serra.


Por Gustavo Delacorte:

Dois anos depois de ter o meu primeiro contato com a SP, justamente no primeiro Raduno, quando nem Vespa eu tinha, aqui estou hoje na linha de frente de um evento do calendário do grupo. Sendo assim, me senti na obrigação de fazer de tudo para que todos pudessem aproveitar ao máximo o passeio. Abraçar o Raduno dessa maneira me fez pela primeira vez sentir na pele o que o nosso camarada Fidelis passa na maioria dos eventos, e isso só me faz respeitar ainda mais quem se coloca a disposição de tornar os passeios algo possível e prazeroso para todos. E como cada giro tem suas características próprias, posso descrever momentos únicos do III Raduno da Primavera que ficarão para sempre na minha memória. Pude acordar e ver um céu que estava nublado se abrir justamente no dia do Raduno, vi um mar de motonetas surgir da ponte estaiada na interligação da Imigrantes com a Anchieta, assim como muitos outros momentos gratificantes como ver a expressão de satisfação do pessoal almoçando e apreciando a vista do morro da asa delta. A parte mais divertida pra mim, sem dúvida, foi ajudar o nosso colega que estava de M4 a subir as ladeiras morro acima, numa soma de esforço dos motores das duas motonetas e da habilidade dos dois scooteristas para que ninguém se esborrachasse no chão. Quando todos se preparavam para retornar para suas cidades, a sensação de "quero mais" bateu novamente, assim como nas duas primeiras edições. Que venha o próximo!

Vespa M4 (1962) e Lambretta Standard (1957)

5 comentários:

Scooteria Paulista disse...

FOTOS

1,5,7 Aurélio Martimbianco;
2 - Eric Augusto;
3,8 - Rose Moreira;
4 - Gustavo Delacorte;
6,9 - Marcio Fidelis (câmera da Rosa);

Anônimo disse...

Que orgulho ver a marca Lambretta na estrada assim. Olha essa última foot da de 1957, e a do tatu tambem, sustentando um nome que sempre será grande, o nome Lambretta. bem daqui a pouco tempo a minha estará entre a de vocês dois.

PJ LAMMY

Chico disse...

Mais uma vez so a parabenizar o evento e organização, pena que estiquei a praia e nao deu para comparecer neste domingo.Abraços, amigos

David Raeder disse...

Foi demais!

Scooteria Paulista disse...

Dois estreantes raduneiros por aqui, muito agradecido eu fico amigos. Parabéns pela coragem e grato demais fico pela amizade de vocês, Chico e David Da'Vesparaná. Foi um imenso prazer dividir pista com vocês. Estamos nos preparos pro Encontro Nacional aqui, para proporcionar a todos o dia mais feliz de 2013. Será que conseguiremos? Um desafio e tanto... hehehehe. aquele abraço meus camaradas!!

Fidelis